Fiocruz investiga risco de contaminação por amianto em locais públicos do Rio
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 19 (AE) - O coordenador do Centro de Referência do Estado do Rio de Janeiro em Pneumologia Ocupacional, Hermano Albuquerque, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), começou a investigar, hoje, a possibilidade de haver risco de contaminação por amianto em locais públicos do Rio, como cinemas, igrejas, prédios comerciais e um shopping. A investigação tem por base uma lista divulgada na sexta-feira com os locais que teriam utilizado o produto Limpet - spray composto por uma camada de amianto fibroso, do tipo amosita - na superfície de estruturas para o revestimento térmico e acústico.
A aplicação do Limpet usada pela construção civil no País até o início da década de 80, quando o produto foi proibido
com exclusividade pela indústria brasileira de isolantes térmicos Temporal S.A., que teve a falência decretada em 1994. Os Cinemas Leblon 1 e 2, na zona sul, as igrejas São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, e da Ressurreição, no Arpoador, e o Edifício Central, no centro, onde funciona o Shopping Avenida Central, são alguns dos locais que apresentariam risco de contaminação, de acordo com a denúncia.
O empresário Amary Temporal, sócio da Temporal S.A. até 1979, confirmou a utilização do produto apenas na construção do Edifício Central. A suposta aplicação do Limpet nos cinemas e igrejas teria ocorrido após sua saída da empresa. Ministério Público - O contato por inalação com o amianto do tipo amosita pode causar câncer no pulmão, mesotelioma de pleura (um tumor maligno) e asbestose, que provoca perda progressiva da capacidade respiratória. "Vamos solicitar aos locais que permitam a visita de uma equipe de inspeção para avaliar a existência do amianto, mas a Fiocruz não tem poder de fiscalização, e caso isso não seja possível, faremos denúncia ao Ministério Público", afirmou o coordenador da Fiocruz. Ele explicou que o amianto amosita é o que oferece o maior risco de contaminação, mas a doença pode demorar até 20 anos para se manifestar.
"O risco existe, principalmente se for constatada a existência do amianto em locais de grande concentração como cinemas, porque esse produto, que era aplicado na superfície, pode desprender-se com o desgaste". Segundo Albuquerque, o Limpet foi utilizado com frequência em países da Europa, mas, depois de constatado o risco de contaminação, houve uma campanha pela retirada dos revestimentos em que o produto foi aplicado. "Nunca houve no País uma política de substituição desse material".
O pneumologista alerta que a retirada deve ser feita por técnicos especializados. Segundo ele, o trabalho pode ser feito em duas semanas. "Acredito que não vá haver resistência por parte dos estabelecimentos". O supervisor-geral de operações do cinema Leblon, Franscisco Pereira, disse hoje que a última reforma do revestimento acústico das salas foi feita no início da década de 80, data que coincide com a época em que teria sido feita a aplicação de Limpet pela Temporal S.A., segundo denúncia feita por ex-funcionário da empresa que não quis se identificar.
"Não mexemos no revestimento desde a década de 80, porque na última reforma, em 94, trocamos apenas poltronas, carpetes, pintura e iluminação". Pereira, que trabalha há dez anos no cinema, desconhece o risco de contaminação. Vítima - A Fiocruz constatou hoje o primeiro caso de contaminação por meio do Limpet. O paciente, que não quis se identificar, contraiu asbestose ao, supostamente, aplicar o produto em construções feitas no Rio nas décadas de 70 e 80.


