Fiocruz descobre plantas que combatem a dengue
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domingo, 19 de janeiro de 2014
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio - Num acervo de 4,4 mil plantas coletadas no Pantanal mato-grossense, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz encontraram três espécies que inibem a replicação do vírus da dengue. Os extratos vegetais foram testados em células infectadas com os vírus dos tipos 2 e 3. A pesquisa caminha agora para nova fase, a de testes em animais, para avaliar a toxicidade.
O trabalho se tornou possível por causa de uma estratégia que tomou fôlego nos últimos cinco anos na Fiocruz - a de descentralizar as atividades e fazer ciência no interior do País, aproveitando as diferenças regionais. A instituição já está em nove Estados, além do Rio de Janeiro. No Mato Grosso do Sul, os trabalhos se dividiram em várias linhas de pesquisa - da saúde indígena à busca por novas moléculas a partir da flora local, além da formação de mão de obra.
O diretor da Fiocruz-MS, Rivaldo Venâncio da Cunha, diz que a primeira etapa do trabalho em Campo Grande foi identificar as instituições que poderiam ser parceiras da Fiocruz, chegando à Universidade Anhanguera-Uniderp, onde o curso de Agronomia já tinha catalogado 4 mil plantas do Pantanal mato-grossense.
Ao testarem as possibilidades terapêuticas das plantas, os pesquisadores chegaram a três famílias capazes de inibir a replicação do vírus da dengue. "Uma delas teve atividade fenomenal. Vamos tentar sintetizar a molécula e testar em modelo vivo", disse a pesquisadora Jislaine Guilhermino.
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País foram escolhidas como prioritárias pela Fiocruz por causa de "vazios de desenvolvimento de ciência e tecnologia", diz o presidente da instituição, Paulo Gadelha.
No Ceará,a Fiocruz começará a construir no Polo Tecnológico de Euzébio a primeira plataforma para a produção de medicamentos biológicos a partir de células vegetais, uma novidade no País.
A tecnologia garante mais segurança do que os remédios produzidos a partir de vírus e bactérias - produz menos efeitos colaterais. E requer menos investimentos. "Vamos usar a célula do tabaco para expressar a proteína do envelope do vírus da vacina da febre amarela", exemplifica o presidente do conselho Político e Estratégico de Bio-Manguinhos, Akira Homma.


