São Paulo, 25 (AE) - A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) poderá pedir à Universidade de São Paulo (USP) que devolva total ou parcialmente os cerca de R$ 500 mil usados para financiar um projeto de pesquisa do Grupo de Semicondutores
coordenado pelo Instituto de Física de São Carlos, no interior de São Paulo. A Assessoria de Imprensa da Finep informou hoje que essa decisão depende do resultado de uma auditoria aberta na sexta-feira (22) - que deverá ser concluída até o fim da semana - para apurar denúncias de superfaturamento na compra de equipamentos para pesquisa.
Apesar de os recursos para o projeto - que estuda microcircuitos de computadores - terem sido liberados a partir de 1991, até hoje a Finep não recebeu um documento chamado Relatório Técnico Final. Essa peça deve detalhar o uso dos recursos e os resultados da pesquisa financiada. Mesmo assim, a auditoria foi instaurada somente na sexta-feira. Por outro lado, segundo a assessoria da Finep, a USP também não informou oficialmente à agência sobre a sindicância - iniciada e arquivada em 1998 - para investigar denúncias de superfaturamento na compra de equipamentos.
O diretor do Instituto de Física, Horácio Panepucci, explica que a responsabilidade do uso dos recursos e da condução da pesquisa é do professor responsável pelo projeto, Pierre Basmaji, que assinou uma declaração assumindo a compra dos equipamentos. No entanto, o convênio de número 56.91.05.16.00 foi feito em nome do ex-reitor Roberto Leal Lobo e Silva Filho e assinado pelo vice-reitor Ruy Laurenti.
Basmaji demitiu-se da USP após a abertura da sindicância. Hoje, o reitor da USP, Jacques Marcovitch, enviou uma circular aos professores da universidade informando que a sindicância, arquivada em 1998, foi reaberta. O resultado desse novo processo será enviado ao Ministério Público (MP).
Panepucci ressalta que a credibilidade do Instituto de Física não está abalada com o episódio. "Isso é um caso isolado", garante.

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