Financiamento para bancos nacionais não é fundamental, diz Bradesco
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Daniela Milanese 
São Paulo, 31 (AE) - O financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos bancos nacionais para a compra do Banespa não é fundamental. A avaliação é do presidente do Bradesco, Marcio Cypriano. Segundo ele, o pleito para o financiamento aos bancos nacionais não partiu do Bradesco. "Os bancos têm liquidez suficiente para comprar o Banespa", reforçou o vice-presidente executivo do Bradesco, Luiz Trabuco.
Para Cypriano, a criação de um consórcio de bancos nacionais para a aquisição do banco paulista não é viável. Isso porque, afirmou, seria difícil manter uma administração compartilhada com os concorrentes.
Cypriano reiterou hoje o interesse no banco paulista em entrevista coletiva para o anúncio dos resultados de 99. "Para nós, o Banespa é muito importante." Caso o Bradesco não saia vitorioso do leilão de privatização, passará a olhar mais de perto os bancos da região sul, como o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
O presidente afirmou também que o Bradesco ainda não está sentindo a concorrência dos bancos estrangeiros no mercado nacional. "Pelo contrário, hoje o Banco do Brasil é o nosso maior concorrente", disse. Mas ressaltou que gostaria de ter a mesma facilidade para colocar unidades no Exterior, como os estrangeiros têm no Brasil.
Seguradora - O Bradesco está analisando propostas para a entrada de parceiros estratégicos na sua seguradora. "Existem conversas, pois estamos sendo procurados", disse Cypriano. Segundo ele, as consultas tiveram início depois que a parceria do Bradesco com a alemã Alliance foi desfeita, no ano passado. O presidente ressaltou que as negociações não envolvem a venda do controle da seguradora, apenas de uma participação minoritária. Internet - O vice-presidente executivo do Bradesco
Luiz Trabuco, afirmou que existe a possibilidade da abertura de capital da área de Internet do banco. "Isso pode acontecer, mas por enquanto não há nada definido", disse.
Para ele, o uso da Internet nas transações financeiras é um processo irreversível. Segundo Trabuco, o acesso gratuito à rede é um instrumento de fidelização dos clientes. "Não queremos concorrer com os provedores." Com o acesso gratuito, o número médio de cadastramento de novas contas no Bradesco passou de 1500 por dia para 2800 por dia.
Resultado - O lucro líquido do Bradesco em 1999 foi de R$ 1,105 bilhão. O valor representa um aumento de 9,13% em relação ao registrado no mesmo período de 98. O presidente do banco, Marcio Cypriano, afirmou que o resultado "ficou dentro dos índices históricos".
Cypriano lembrou que alguns bancos estavam alavancados em dólar e ganharam com a desvalorização do real no ano passado. Isso teria provocado aumentos expressivos nos lucros dessas instituições.
O presidente afirmou que apesar do forte clima de apreensão verificado no início do ano passado, o Bradesco teve capacidade para superar as dificuldades. "Abrimos 2 milhões de contas em 99." O banco decidiu manter elevado o nível de provisões para créditos duvidosos, em R$ 1,908 bilhão. A provisão referente aos títulos do Estado de Pernambuco, que foram assumidos pela União, foi mantida por conservadorismo, explicou Cypriano.
Segundo ele, essa provisão "perdeu o carimbo de títulos de Pernambuco", mas o montante permaneceu no total do banco. As operações de crédito somaram R$ 27,576 bilhões no ano passado, um aumento de 9,89% no período.
Para 2000, Cypriano espera um aumento de 20% na concessão de crédito. O motivo, afirmou, é a expectativa de queda do desemprego e aumento de 3% a 4% no PIB. A receita de intermediação financeira consolidada do Bradesco em 99 subiu 52 26% em relação ao ano anterior, para R$ 18,172 bilhões. O destaque nessa conta é o resultado das operações de câmbio, que aumentou 210,59%, para R$ 1,776 bilhão. O resultado bruto consolidado do banco no ano passado atingiu R$ 5,351 bilhões, 19,08% superior ao de 98. As despesas operacionais cresceram 26,74%, chegando a R$ 4,186 bilhões.


