Financiamento a exportação dobra em fevereiro, informa BB
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 10 (AE) - Os contratos de financiamento de exportações do Banco do Brasil cresceram em fevereiro 114% sobre os contratos firmados em janeiro. Este aumento é considerado uma reação do setor exportador diante da desvalorização cambial.
O banco divulgou hoje que o volume de contratos de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) em fevereiro chegou a US$ 518 milhões, sendo que, em janeiro, este volume foi de apenas US$ 242 milhões. Assim, o saldo das aplicações de ACC do Banco do Brasil cresceu 21,9%, passando de US$ 2,525 bilhões para US$ 3,080 bilhões.
O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, afirmou que a instituição ainda tem uma grande capacidade de financiamento das exportações para pequenas, médias e grandes empresas, mas admitiu que estes recursos são finitos. "As possibilidades do Banco do Brasil financiar, por mais que queira
são sempre limitadas", disse Calabi.
Ele lembrou que o banco possui R$ 30 bilhões de movimento de crédito. "Podemos expandir mais US$ 3 bilhões", afirmou Calabi, referindo-se à uma nova modalidade de financiamento, que permite ao exportador optar entre a taxa de juro interna ou a garantia do retorno cambial.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, afirmou hoje que espera que os bancos privados estrangeiros retomem as linhas de financiamento de ACC, praticamente paralisadas desde a desvalorização cambial. "A partir do acordo com o FMI, a aprovação da CPMF e a viagem ao exterior da equipe econômica, tenho a esperança que as linhas de ACC vão retornar", disse Borges.
Esta é a mesma opinião do presidente do Banco do Brasil. Segundo Calabi, as linhas de financiamento de exportação devem retornar nas próximas semanas. "A expectativa é que se retomem as linhas de crédito previamente disponíveis pelos bancos comerciais privados", afirmou Calabi. Atualmente, o Banco do Brasil é a principal instituição financiadora de exportações.
Nos últimos 14 meses, o resultado dos contratos de ACC de fevereiro só foi superado pelo movimento de outubro, que chegou a US$ 792 milhões. A ACC é antecipação de recursos em moeda nacional, decorrentes de uma exportação a ser realizada no futuro. O prazo máximo é de 180 dias. Do total de contratos de ACC assinados em fevereiro 22,5% (US$ 117 milhões) foram feitas por pequenas e médias empresas.


