Financeiras ainda estudam redução de juros
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 18 (AE) - A queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% ao ano já começou a vigorar hoje nas financeiras e bancos. Mas a redução das taxas de juros ainda está sendo estudada. As financeiras que modificaram suas tabelas de IOF no fim de semana, já começaram a trabalhar ontem com o novo imposto, mas ainda estudam em quanto vão reduzir os juros.
"Vamos avaliar os efeitos da redução dos depósitos a prazo no custo do dinheiro para depois mexer nas taxas", diz o diretor da financeira Losango, Manuel Vieira. "Acho que na próxima semana vamos ter uma idéia melhor do mercado", prevê. Ele acha possível também utilizar a notícia da queda do IOF, junto com a redução dos juros, como um chamariz para incrementar o crediário.
A redução do IOF significou uma queda em torno de 0,4 ponto percentual nos financiamentos. "É pouco mas estamos no caminho certo e pensando em desenvolver com o marketing um material para os lojistas incrementarem vendas", diz Vieira.
O gerente-financeiro da Finaustra (ligada ao banco BBA), Moisés Jardim, que opera com crédito pessoal e financiamento de veículos espera com a redução do IOF e a queda dos juros um aumento no crediário de até 20% no volume de vendas.
A Finaustra pretende definir suas novas taxas de juros até amanhã e, segundo Jardim, poderá desenvolver campanhas específicas em pontos de venda para atrair clientes. "A idéia é aproveitar esse momento propício de queda de taxas e fim de ano para aumentar o volume de negócios", diz. "É uma época de concorrência bastante acirrada."
O Banco Cacique, que financia eletroeletrôncios, móveis e material de construção também poderá alterar suas taxas essa semana. O Banco Panamericano também pretende reduzir juros até sexta-feira.
Enquanto as financeiras e bancos estudam as novas taxas, supermercados e lojas já estão alterando juros desde a semana passada. Hoje foi a vez de o Grupo Pão de Açúcar anunciar redução das tabelas. "Reduzimos porque estamos acreditando num custo de captação menor", justifica o gerente-geral de meios de pagamento da empresa, Aymar Giglio.
As taxas mensais da rede Eletro baixaram de 6,5% para 4 9% (cinco prestações), de 7,5% para 5,7% (seis a oito prestações), de 8,5% para 6,9% (mais de nove prestações). No Extra os juros baixaram de 3,9% para 3,5% (quatro vezes), de 5 5% para 4,7% (cinco vezes) e de 6,9% para 6,5% (até 12 vezes).
Crediário cresce - As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) cresceram na primeira quinzena de outubro 7% em relação ao mesmo período do ano passado e 14% na comparação com a primeira quinzena de setembro. "O crescimento em relação a setembro era esperado por causa do Dia da Criança e pela proximidade do fim do ano", diz o economista Emílio Alfieri, da Associação Comercial de Sâo Paulo. Já o aumento em relação ao mesmo período do ano passado reflete a redução dos juros nos últimos meses.
As consultas ao Telecheque no mesmo período apresentam queda de 9,1% em relação a outubro de 98 e aumento de 9,4% na comparação com setembro. A queda, segundo Alfieri, mostra a redução do poder aquisitivo da população além de uma menor utilização do uso do cheque.


