Hankey - O enterro de Saartje Baartman, ex-Vênus Hottentote que foi exibida no século XIX na Europa como animal monstruoso de feira, aconteceu ontem na África do Sul, em meio a uma comemoração nacional para destacar a dignidade recuperada dos povos africanos.
Baartman foi levada em 1810 à Inglaterra, depois exposta, examinada e pintada, em Londres e na França, como objeto de curiosidade por sua particular forma, especialmente por suas enormes nádegas e seu sexo protuberante.
Morreu aos 26 anos na miséria, em Paris, onde seus restos foram embalsamados e expostos até 1974 no Museu do Homem.
Mais de 5.000 pessoas, entre elas o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, vários membros do gabinete e do governo provincial de Cap Oriental se reuniram para a cerimônia em um campo esportivo do pequeno povoado de Hankey (sudeste), onde Baartman nasceu há 213 anos.
O funeral foi transmitido ao vivo pela televisão pública SABC.
Começou com um rito da etnia Joisan, no qual se queima a erva tradicional Boegoe para ''unir-se com a terra e o espírito de Baartman'', declarou à multidão Piet Booysen, um dos numerosos chefes da etnia Joisan presentes.
Os restos de Baartman, morta em 1816 em Paris, foram devolvidos pela França à África do Sul em maio passado, após uma campanha de sete anos levada a cabo pela comunidade Joisan e por autoridades científicas e políticas sul-africanas. O Parlamento francês autorizou a devolução em fevereiro passado.
O conhecido antropólogo sul-africano Philip Tobias, que participou na campanha pela devolução dos restos, saudou ontem ''o maior dia da história de Baartman''.
Tobias disse recentemente que Baartman era ''um símbolo, uma heroína, um ícone de uma época passada, quando o imperialismo e o colonialismo exploravam os povos''.

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