Miami, 13 (AE-AP) - Desafiando as autoridades americanas, os parentes de Elián González em Miami não entregaram hoje (13) o menino cubano à custódia de seu pai, Juan Miguel González, no prazo estipulado pelo governo e, uma hora depois de vencido o ultimato, conseguiram de um juiz federal de Atlanta uma ordem temporária de emergência que impede a saída do garoto de 6 anos dos EUA.
A "ordem de permanência temporária" baixada pelo juiz J. L. Edmondoson, de um tribunal de apelações de Atlanta, dura até as 9h30 locais de amanhã, mas, segundo o governo, atrasará em três ou quatro dias a resolução do caso. Isto porque o Departamento de Justiça concordou em esperar até que o tribunal analise em profundidade o recurso apresentado pelos parentes que tentam manter Elián no país.
O tio-avô de Elián em Miami, Lázaro González, tinha sido instruído pelo governo para entregar o menino no aeroporto fde Opa-locka, perto de Miami, até as 14 horas locais de hoje (15 horas em Brasília). De lá, Elián seria levado para Washington, onde Juan Miguel o aguarda desde a semana passada. Cinquenta carros da polícia e 200 agentes foram mobilizados em torno do aeroporto.
No entanto, Lázaro manteve o garoto na casa do bairro de Little Havana onde ele tem vivido desde que foi resgatado, há quatro meses e meio, do naufrágio no qual morreu sua mãe. E divulgou um vídeo caseiro no qual Elián diz que não quer voltar à terra natal. "Pai, não quero ir pra Cuba", diz, mascando chiclete. "Se você quiser, fique aqui."
Reagindo à divulgação do vídeo, Juan Miguel pediu, por meio de seu advogado, que seja respeitada a intimidade de seu flho e advertiu que não autorizou a difusão de imagens da criança. "Só Juan Miguel González, na qualidade de pai, fala em nome de seu filho", disse o advogado Greg Craig, exigindo a devolução imediata de Elián. "Esses parentes não só violaram a lei, como afetaram emocionalmente e exploraram o menino."
"Não vamos entregar esta criança - nem em Opa-locka nem em locka nenhum", afirmou Lázaro. Diante da casa em Little Havana, milhares de manifestantes contrários à entrega do filho ao pai concentraram-se para tentar impedir a eventual retirada à força de Elián.
"Guerra, guerra!", gritaram alguns dos manifestantes. Outros
porém, renovaram promesas de não-violência. O ator Andy Garcia e a cantora Gloria Estefan, ambos cubano-americanos e contrários à repatriação de Elián, passaram algum tempo entre os manifestantes e dentro da casa. Garcia pediu que seja respeitada a vontade da criança de permanecer nos EUA.

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