Fim de tarifas faria PIB mundial crescer US$ 53 bi, revela estudo
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 28 (AE-DOW JONES) - A eliminação de tarifas alfandegárias sobre produtos industrializados provocaria um incremento de 0,18% no crescimento da economia mundial e de pelo menos US$ 53 bilhões no PIB) global, em relação ao de 1997, de acordo com estudo do Ministério de Comércio Internacional e Indústria (MITI) do Japão, publicado esta semana no jornal "Nihon Kenzai".
O estudo ressalta que a eliminação das tarifas de importação beneficiaria, principalmente, os países em desenvolvimento, cujo PIB sofreria um incremento de pelo menos US$ 46 bilhões, ou 0 71%.
Esse incremento, acrescenta o estudo, "é ligeiramente superior aos 80% de Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (ODA, em inglês) que ofereceram os países industrializados às nações menos desenvolvidas em 1996".
Segundo o "Nihon Kenzai", as conclusões desse estudo serão utilizadas pelo governo japonês como argumento para persuadir os países em desenvolvimento a reduzir ou eliminar os direitos alfandegários, e, com isso, poder reabrir o mais rápido possível as discussões para o lançamento de uma nova rodada de negociações comerciais no âmbito da OMC.
"A redução das tarifas alfandegárias, somada à redução dos preços de importação, pode aumentar os ingressos reais dos países, ampliando ainda mais o consumo e os investimentos", afirma o MITI no estudo.
Para o governo japonês, as exportações também seriam beneficiadas, já que as empresas poderiam produzir com custos menores ao usar equipamento e bens de capital importados mais baratos. Isso significa que o comércio mundial de bens e serviços sofreria um forte incremento.
Este ano, as exportações de mercadorias e serviços no mundo deve aproximar-se de US$ 7 trilhões, se for confirmado o crescimento de 5% em relação a 1998, quando o comércio mundial somou US$ 6,5 trilhões (US$ 5,2 trilhões em bens e US$ 1,3 trilhão em serviços).
Em 1998, o crescimento do PIB e do comércio mundiais perdeu ritmo devido à crise asiática e às repercussões desta na economia de outros países fora da ásia. O volume de exportações mundiais de mercadorias, por exemplo, cresceu 3,5%, bem abaixo do notável resultado de 10,5% registrado em 1997.
No mesmo período, a desaceleração do crescimento da produção mundial foi menos pronunciada que a do comércio, já que o PIB global aumentou 2%, ou um ponto porcentual menos do que em 1997.


