Fim de diálogo vai aumentar invasões, alerta Rainha
O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, disse ontem que a posição do governo federal de romper o diálogo com o movimento (anunciado ontem como represália à retomada das invasões) deve agravar o clima de tensão e aumentar a onda de invasões de prédios públicos e propriedades rurais em todo o País. Vamos continuar com as invasões e se não houver uma solução, a situação se agrava, disse.
De acordo com Rainha o governo fez esta besteira (romper o diálogo) porque não tem dinheiro e não pode cumprir a promessa de liberar R$ 600 milhões em financiamentos para o custeio agrícola. Segundo ele, a promessa de liberação de recursos foi feita durante os últimos entendimentos mantidos entre a direção do MST e o governo federal.
Um grupo de manifestantes ligados ao MST acampou na madrugada de ontem na entrada da Fazenda Córrego da Ponte, que pertence à família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), a 170 quilômetros de Brasília. Ontem pela manhã os sem-terra tentaram invadir a propriedade, mas foram impedidos por policiais federais armados com escopetas. O MST calcula em 650 o número de manifestantes no local e não descarta a invasão da área.
O Exército e a PF estão vigiando as duas porteiras da fazenda. Os sem-terra hostilizaram e xingaram os policiais federais, que não reagiram às provocações. Todos são do Comando de Operações Táticas (COT), um grupo de elite da PF que cuida de ações de campo, principalmente contra o narcotráfico. (A.E)





