Ribeirão Preto, 20 (AE) - O fim das safras de laranja e cana pode elevar, a partir de janeiro, o contingente de sem-terra invasores da Fazenda Chimbó, em Matão, interior de São Paulo, de 600 para até mil integrantes, estimou hoje o presidente do PT na cidade, Luiz Antônio Albano.
Segundo ele, pelo menos 80% dos integrantes da ocupação são trabalhadores rurais, vivem na região e estão sem emprego. Deste volume, a maior parte trabalha na colheita da cana e da laranja. Até o momento, nenhuma ação de reintegração de posse foi interposta na Justiça pela Fazenda Chimbó, que havia desativado a usina há cerca de seis anos, ou mesmo pela Usina Bonfim, que arrendou a área há três anos por um período de 20 anos e possui cana plantada nos cerca de 70 dos 80 alqueires, localizados no quilômetro 315 da Rodovia Washington Luís.
A Usina Bonfim informou que pretende entrar com ação amanhã (21) pela manhã para evitar prejuízo na área que está produtiva. Segundo Albano, a área da Fazenda Chimbó foi considerada a única ideal na região pelos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por estar comprometida com dívidas que possuía junto ao Banco do Brasil (BB) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e por ser alvo de inúmeras ações trabalhistas desde que encerrou as atividades.
A prefeitura de Matão, que está sob o comando do PT, divulgou nota informando que dá apoio à ocupação. A prefeitura está fornecendo água e providenciando a coleta de lixo no assentamento. A Polícia Militar informou que nenhum incidente ocorreu até o momento.
Um carro está sendo mantido de prontidão próximo ao local. O coordenador do assentamento em Matão, Gilmar Mauro, é considerado um dos líderes do MST e provável sucessor do líder nacional João Pedro Stédile. Ele filiou-se ao movimento em 1985, quando organizou a invasão da área de uma madeireira no interior do Paraná, terra natal dele.
O ato, o primeiro dele no MST, rendeu um título de propriedade para cada uma das mil famílias que ficaram por seis meses acampadas na frente da casa do governador Jayme Lerner (PFL). Hoje, ele possui área de assentamento em Lindoeste, na qual está instalada a família dele.

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