A instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proibindo a exploração, transporte e venda de mogno no sul do Pará já teve suas primeiras reações contrárias. na sexta-feira, o presidente do Sindicato das Indústrias do Sul do Pará, João Francisco de Lima ameaçou iniciar, na próxima semana, uma demissão em massa no setor, que hoje emprega cerca de quatro mil funcionários diretamente e beneficia outras 40 mil pessoas de forma indireta. O presidente do Ibama, Eduardo Martins, confirmou que manterá a instrução em vigor até que se faça uma inspeção geral nas indústrias.
Segundo fontes do Ibama, a proibição foi feita para que o instituto realize um levantamento das madeiras existentes nos pátios das empresas de exploração e exportação de mogno, já que existe uma suspeita de que muitas estão sendo retiradas de área indígena e vendidas de forma irregular, utilizando documentação ‘‘fria’’. Eduardo Martins disse que a proibição da retirada do mogno não tem prazo para terminar. ‘‘Estamos fazendo a inspeção para verificar a procedência da madeira’’, afirmou Martins.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Sul do Pará, a paralisação nas atividades do setor poderá gerar um grande prejuízo nos municípios que hoje vivem da exploração da madeira. ‘‘Poderemos começar a demitir na semana que vem’’, afirma João Francisco de Lima. ‘‘Não só o comércio de madeira, mas também os comerciantes de uma forma geral serão prejudicados, pois também vivem do movimento das madeireiras’’, diz Lima.
O presidente do sindicato afirma que nem mesmo os escritórios do Ibama na região foram avisados da instrução normativa. ‘‘Ninguém foi informado sobre isso’’, afirma Lima. O documento do Ibama foi publicado sem alarde no Diário Oficial da União justamente para não chamar a atenção dos empresários do sul do Pará, segundo confirmaram fontes do instituto.
Há cerca de dois meses, o Ibama e a Polícia Federal fizeram uma operação na região e detectaram a retirada ilegal de madeira de área indígena.

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