São Paulo, 28 (AE) - A prorrogação por três dias da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais - o que na prática equivale a encerrá-la - ajudou diretamente alguns vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta, o governo municipal e o presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf. Os vereadores que apóiam Pitta (sem partido) foram contrários à prorrogação da CPI por causa dos efeitos negativos que as investigações poderiam causar nas eleições. O Executivo foi contra, pelo desgaste político que a descoberta de irregularidades provoca. E Maluf, pelo constrangimento caso tivesse de depor na CPI.
Os governistas negam temer a continuidade das investigações e justificam seu voto, dizendo que, em mais de 60 dias de trabalho, a CPI dos Fiscais não revelou nenhum fato novo e permaneceu a reboque do trabalho do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil. "A Câmara Municipal deu a sua contribuição mostrando maturidade para fiscalizar-se, mas corremos o risco de provocar uma guerra eleitoral prorrogando-a por mais 90 dias porque estaremos muito próximo das eleições do ano 2000", tem dito o vereador Miguel Colasuonno (PPB).
Meio-termo - O líder da bancada do PPB, vereador Paulo Frange, disse que tentou um entendimento com a oposição, propondo um prazo intermediário. "Eu tentei um consenso, mas só concordavam com os 90 dias." Frange entende que iniciar o segundo semestre com uma CPI em andamento significa perder mais seis meses de trabalho legislativo.
"Só conseguimos aprovar o projeto que criou as Frentes de Trabalho, porque nem mesmo um louco poderia ser contra", disse, referindo-se à dificuldade de consenso para montar uma pauta com as lideranças.
Em conversas reservadas, vereadores governistas admitem que alguns colegas temem o avanço das investigações. O receio de ser envolvido no escândalo da máfia dos fiscais provocou uma guerra interna, causando conflito entre parlamentares do mesmo partido.
Na Câmara, comenta-se que alguns parlamentares teriam feito denúncias contra companheiros para desviar as atenções sobre eventuais irregularidades cometidas. Uma vereadora da ala governista, que pediu para não ser identificada, confirmou conflitos entre os parlamentares.
Competência - O governo municipal continua afirmando que não interfere nos assuntos da Câmara, mas Pitta comandou pessoalmente a articulação com a base governista para impedir o início do processo de impeachment. No acordo, ficou acertado que os vereadores também impediriam a continuidade da CPI dos Fiscais.
Nos dias que antecederam a votação que sepultou a CPI dos Fiscais, vários assessores políticos do Palácio das Indústrias passaram o dia combinando com os vereadores para mobilizar pessoas pró-Pitta. Às 11 horas de hoje várias pessoas a favor de Pitta já haviam retirado a maioria das senhas para acompanhar a sessão na galeria do plenário da Câmara.
À tarde, pouco antes do início da sessão, praticamente a metade das 160 cadeiras da galeria já havia sido ocupada por pessoas favoráveis ao governo. O principal tema do dia, entretanto, era o requerimento governista que prorroga a CPI dos Fiscais por apenas três dias e acaba com as investigações no Legislativo.
O secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, informou que as pessoas a favor do prefeito não foram à Câmara para defender o término da CPI, mas defender Pitta. "Como o Antônio Fagundes apareceu no comercial convocando os aliados do PT, as pessoas que gostam do prefeito foram à Câmara defendê-lo."
Com a decisão de não prorrogar o prazo da CPI, Maluf fica livre de depor na comissão. Ele foi convidado a prestar depoimento por decisão do PMDB. A Assessoria de Imprensa do ex-prefeito nega, mas vereadores do próprio PPB confirmaram que Maluf ligou para vários parlamentares tentando reverter o convite e evitar a convocação.

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