Filtros Mann contrata para poder exportar mais
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 26 (AE) - A Filtros Mann, líder do mercado de filtros para a indústria automobilística, deverá aumentar o faturamento com exportações em 50% como resultado da desvalorização do real. O presidente da empresa, Axel Grossmann, está entusiasmado especialmente com a possibilidade de investir mais nos mercados da Europa. As perspectivas otimistas no Exterior levaram a empresa a contratar 40 empregados temporários
na contramão do que aconteceu entre os fornecedores atingidos pela crise.
"Contratamos em caráter temporário porque não sabemos o que pode acontecer", disse Grossmann. A empresa tem 900 empregados. No ano passado as exportações renderam à Mann US$ 8 milhões. Este ano podem chegar a US$ 12 milhões. O faturamento total da companhia no Brasil em 1998 somou US$ 80 milhões. Havia chegado a US$ 90 milhões em 1997. Mas Grossamann não prevê nenhum crescimento expressivo este ano porque as vendas no mercado interno deverão cair entre 15% e 20% por conta da retração no mercado de carros.
O executivo alemão aponta ainda o aumento de custos com produtos importados. A Mann está usando a cotação de R$ 1,70 a R$ 1,80 para negociar a compra de produtos que levam insumos importados. Grossmann discorda das previsões de que o dólar se estabilizará em R$ 1,60. Para ele, a moeda americana não será menos do que R$ 1,75 a R$ 1,85. Segundo ele, isso fará com que os custos aumentem até 20%. A Mann exporta filtros completos e componentes para América do Sul e Europa.
Na Europa, os produtos feitos no Brasil seguem para a matriz, da Alemanha, que os distribui para as subsidiárias com vistas a atender o mercado de reposição. Metade do que a Mann fabrica hoje, em Indaiatuba, interior de São Paulo, vai para o mercado de reposição, que inclui as exportações. A contratação de mais empregados está voltada ao mercado de reposição, em cuja linha de produção a mão-de-obra tem mais peso.
Grossamann lamenta que a mudança cambial tenha chegado num momento em que o mercado europeu começa a registrar excesso de capacidade. No Brasil, a desvalorização cambial tende a favorecer o aumento da nacionalização. Com o dólar mais caro, as montadoras já começam a fazer a cotação , no mercado nacional, de peças que antes compravam no exterior.
Grossamnn diz que a Mann já está sendo consultada. Mas, não vale a pena desenvolver equipamentos para a produção de filtros dos carros que são produzidos em pequenos volumes. O executivo também não se animou com a redução do IPI, que poderá resultar no acordo emergencial. Para ele, com os juros altos, o efeito não será muito significativo.


