AnsaVencedorCena do filme Cosi Ridevano, Leão de Ouro em Veneza‘‘Cosi Ridevano’’, de Gianni Amelio, ganhou o Leão de Ouro como melhor filme da 55 ª Mostra Internacional de Arte Cinematografica de Veneza. A rápida cerimônia de encerramento e premiação aconteceu ontem à noite na Sala Grande do Palazzo del Cinema, no Lido, com transmissão direta pela RAI para toda a Europa. A última vez que um filme italiano ficou com o prêmio principal foi há exatamente dez anos, com ‘‘A Lenda do Santo Beberrão’’, de Ermano Olmi. O Leão de Prata para melhor direção foi destinado a Emir Kusturica por ‘‘Gato Branco, Gata Negra’’, uma produção da ex-Iugoslávia. O romeno Lucian Pintilié ficou o Grande Especial do Júri por ‘‘Terminus Paradis’’, crônica de um amor deseperado.
A Copa Volpi de melhor ator foi para Sean Penn, pelo trabalho em ‘‘Hurlyburly’’, inexpressivo concorrente norte-americano dirigido por Anthony Drazan. E Catherine Deneuve, numa premição polêmica, levou a Copa Volpi para melhor atriz pela interpretação no sofrível e embalsamado ‘‘Place Vendôme’’, um dos dois representantes da França na competição. O iraniano ‘‘O Silêncio’’, de Mohsen Makhmalbaf, recebeu a Medalha de Ouro da Presidência do Senado, por atuar em prol ‘‘do progresso civil e da solidariedade humana’’. O prêmio para o roteiro original foi para a refrescante comédia francesa do veterano Eric Rohmer. O filme poderia ter ficado com algo mais.
A premiação era mais ou menos esperada. Primeiro porque o filme de Amelio tem aquilo que se costuma chamar de inegável dignidade, sem qualquer conotação pejorativa ou eufemística. Sua cotação era alta pelos próprios méritos, e algum prêmio importante estava nas previsões. Segundo, porque boatos insistentes davam conta de um lobby a partir da entusiasmada simpatia do presidente do juri, Ettore Scola, pelo trabalho do conterrâneo - circulou até a mirabolante historia sobre um telefonema do Ministro da Cultura, Valter Veltroni, intercedendo pelo filme. Coisas e casos de festivais, perecíveis já nas próximas horas.
O filme de Gianni Amelio é um drama ambientado em Turim, no fim dos anos 50 e início dos 60. É a história de dois irmãos, migrantes da miserável Catânia em busca de vida melhor no norte da Itália. É um trabalho feito com muita paixão e densidade humana, ostentando um excelente nível de produção - o diretor de fotografia, Luca Bigazzi, ganhou a Osella d’Oro pelo trabalho aqui e em ‘‘L’Alberto delle Pere’’.
Outros prêmios foram a Osella d’Oro para Gerardo Gandini, autor da trilha musical do argentino ‘‘La Nube’’, de Fernando Solanas e o Prêmio Marcelo Mastroianni a um jovem ator emergente, dado a Nicc#lo Senni por ‘‘L’Aubero delle Pere’’, de Francesca Archibugi.

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