Filme de PVC contamina alimentos
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terça-feira, 25 de maio de 2004
Agência Estado 
Rio- Os filmes de policloreto de vinila (PVC) podem ser prejudiciais à saúde se usados para embalar alimentos gordurosos, como queijo, carne e frango, conclui pesquisa do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Por precaução, os pesquisadores recomendam que os fabricantes de filmes plásticos façam esse alerta aos consumidores no rótulo do produto, apesar de ainda não existir uma legislação que os obrigue a isso.
Os riscos à saúde humana ainda são desconhecidos. Entretanto, estudos feitos com ratos de laboratório constataram que os dois aditivos químicos mais usados para dar flexibilidade ao PVC contêm substâncias que podem causa câncer de fígado e problemas de fertilidade. A pesquisa, que durou três anos e foi coordenada pela química Shirley Abrantes, contatou que esses aditivos são transferidos em maior quantidade para alimentos com teor de gordura superior a 5%.
''Como essa migração só se torna um problema de saúde pública no armazenamento de alimentos gordurosos, bastaria que as indústrias imprimissem no rótulo do produto uma advertência indicando que o uso em alimentos gordurosos não é recomendável'', disse Shirley. A migração, por difusão espontânea, é mais intensa em alimentos gordurosos, segundo a pesquisadora por causa da semelhança entre sua composição química e a dos aditivos. Ela explica que eles atingem todo o alimento, não se restringindo à parte em contato com o filme plástico.
Os cientistas analisaram em três etapas amostras de filmes de PVC recolhidas pela Vigilância Sanitária do município em supermercados do Rio. Primeiro, quantificou-se os aditivos químicos usados. Em seguida, os pesquisadores avaliaram a taxa de migração desses aditivos para alimentos gordurosos. Por fim, estimou-se a a exposição do consumidor a estes compostos a partir de dados sobre seus hábitos alimentares.
O uso de embalagens de PVC para alimentos ainda é muito recente para que cientistas possam determinar com exatidão os riscos para o consumidor. No Brasil, a legislação estabelece limites apenas para o oftalato de di-(2-etil-hexila)(DEHP), um dos compostos orgânicos usados como aditivo em filmes plásticos. Estudos mostraram que a substância está ligada ao desenvolvimento de câncer de fígado e a problemas de fertilidade em ratos de laboratório.


