Filme da Escócia ganha Festival de Veneza
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domingo, 08 de setembro de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a ôFolha" 
Veneza - Só um escorregão, e feio: a absurda Coppa Volpi de melhor ator para o italiano Stefano Accorsi, pelo trabalho em Um Viaggio Chiamato Amore. Mas depois das vaias dos jornalistas durante a transmissão direta para imprensa, na sala de coletivas, só aplausos. The Magdalene Sisters, co-produção escocesa-britânica, levou o Leone d'Oro como o melhor filme da principal seção competitiva, Venezia 59. O diretor, ator e escritor Peter Mullan subiu ao palco para pegar seu prêmio em irrepreensível traje típico, aqui obviamente incluída a elegante saia xadrez com pregas, a kilt. Faltou apenas a gaita-de-fole.
A cerimônia de encerramento, ontem, transmitida pela RAI ao vivo para toda a Europa, fechou discretamente esta muito irregular 59 Mostra Internazionale d'Arte Cinematográfica.
O Grande Prêmio do Júri, que equivale a um reconhecimento especial, ou a um segundo lugar, foi merecidamente para a Rússia por Dom Durakov (A Casa de Loucos), dirigido por Andrei Konchalovsky. Foi considerado melhor diretor o coreano Lee Chang-dong, pelo surpreendente Oásis, o último concorrente exibido na sexta-feira à noite. Um prêmio especial para melhor contribuição individual foi conferido a Ed Lachman, diretor de fotografia de Far From Heaven, de Todd Haynes. A Coppa Volpi de melhor atriz foi dada a Julianne Moore pela comovente interpretação no mesmo filme.
O Prêmio Marcello Mastroianni para melhor ator ou atriz estreante foi para a coreana Moon So-ri pela complicada composição da garota com sérios problemas neurológicos vivendo um romance com um retardado mental. O curta Clown, de Irina Efteeva, ganhou o Leão de Prata da categoria.
O júri, presidido pela atriz chinesa Gong Li, teve ainda a participação do diretor Jacques Audiard, do poeta Evgenii Evutchenko, do crítico Ulrich Felsberg, do diretor de fotografia Laszlo Kovacs e das atrizes Francesca Néri e Yesim Ustaoglu.
Na outra mostra competitiva, Controcorrente, o melhor filme foi o chinês Xiao Cheng Zhi Chun (Primavera Numa Pequena Cidade), de Tian Zhuang-zhuang, que levou o prêmio San Marco. O Prêmio Especial do Júri foi para o Japão, por Rokugatsu No Hebi, de Shinya Tsukamoto. Menções especiais foram dadas a La Virgen de la Lujuria, do mexicano Arturo Ripstein e ao coreano Fruit Chan por Renmin Gongche (Banheiro Público).
O tradicional prêmio Luigi de Laurentiis - Leão do Futuro para um filme de estréia foi dividido entre o americano Roger Dodger, de Dylan Kidd, e o italiano Due Amici, de Spiro Scimone e Francesco Sframeli, ambos exibidos na Semana Internacional da Crítica.
Baseado em fatos reais, The Magdalene Sisters revela a realidade brutal de uma igreja tão intolerante quanto os fundamentalistas talibans. Criada no século 19 na Irlanda, a ordem das Irmãs Madalenas foi uma espécie de reformatório para moças, com o aval das famílias católicas. A história acompanha o inferno em vida de três jovens, em 1964, levadas a um desses locais como punição pelas razões mais absurdas. A ordem foi extinta em 1996, mas deixou profundas sequelas em suas vítimas. A Igreja Católica já se manifestou irada contra o filme aqui na Itália em pronunciamento oficial do porta-voz do Vaticano - há uma ousada referência a abuso sexual cometido por um padre contra uma das garotas internas.


