Manila, 05 (AE-REUTERS) - Depois de vários meses de batalhas jurídicas e de debates, foi executado hoje (05) com uma injeção letal o estuprador da enteada de 10 anos, Leo Echegaray, em Manila. Esta foi a primeira execução em 23 anos nas Filipinas.
Echegaray, um pintor de paredes de 38 anos, foi considerado oficialmente morto às 14h19 (horário local), oito minutos depois de ter recebido uma injeção com produtos químicos letais, informou a jornalistas o ministro da Justiça, Serafin Cuevas, depois de testemunhar a execução.
Sinos de várias igrejas - as Filipinas é um país predominantemente católico - soaram através da capital no momento da execução. Segundo padres, foi em sinal de oração e de protesto contra a pena de morte.
De acordo com pessoas que testemunharam a execução, Zanaida Javier, mulher de Echegaray, que também estava entre as testemunhas, gritou depois de seu marido ser considerado morto e deixou o local chorando.
"Suas últimas palavras para mim foram que ele me ama muito e que até na outra vida ele tomará conta de mim", disse ela, mais tarde, à emissora de rádio DZBB. "Eu sabia que ele iria morrer. Mas eu ainda tentei lutar pela vida dele até o fim. Até a minha morte, vou lutar por aqueles que estão no corredor da morte", afirmou.
Segundo Cuevas, as últimas palavras de Echegaray foram: "Filipinos, perdoem-me pelos crimes que me acusam de ter cometido. Um filipino assassinado por um irmão filipino".
Duas horas antes da morte de Echegaray, a Suprema Corte rejeitou um último apelo para parar com a execução.
O presidente filipino, Joseph Estrada, que liderou a campanha para trazer de volta a pena capital como forma, segundo ele, de diminuir as altas taxas de crime no país, afirmou que a morte de Echegaray deveria servir como um aviso.
"A execução de hoje é uma prova da determinação do governo em manter a lei e a ordem", disse ele.
O executado foi sentenciado em 1994 pelo estupro da enteada, filha de sua mulher anterior. Até o fim, ele jurou inocência.
Segundo a Igreja Católica, cerca de 915 aguardam pela execução no corredor da morte nas Filipinas.
O país aboliu a pena capital em 1987, mas a reintroduziu em 1994. A última execução, no entanto, foi realizada em 1976.

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