Filhos especiais e sexualidade - e agora?
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domingo, 26 de junho de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Primeiro vem o susto com a notícia de ter um filho com deficiência mental. E o medo de lidar com o desconhecido. Depois, a peregrinação por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e outros especialistas, para dar à ele condições de se desenvolver. Por fim, quando a vida em família está relativamente organizada - filho especial estudando ou trabalhando - vem uma nova surpresa: ele virou adolescente e quer namorar. ''E agora?'' - se perguntam muitos pais.
O assunto é mesmo ''melindroso'', como atesta a psicóloga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Solange Leme Ferreira, que há 26 anos trabalha com o tema. Junto com o neuropediatra Aparecido Andrade, e a também psicóloga Míriam Dorta, ela participa amanhã de uma mesa redonda sobre ''Sexualidade e Filhos Especiais''. O evento é uma promoção do Instituto de Educação em Saúde, uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) formada por profissionais de saúde em Londrina.
Falar de sexualidade, ressalta Solange, é difícil em qualquer momento, ainda mais quando se trata de um deficiente mental. ''As pessoas não falam de sexualidade com a mesma naturalidade com que falam de beleza, exercícios ou alimentação e deveria ser tão normal quanto dormir, estudar, se divertir. Imagine então quando o assunto é falar de sexualidade de um deficiente mental?'', ressalta.
Segundo os especialistas, as pessoas costumar achar que porque há deficiência mental, também há ''deficiência sexual'' ou qualquer outro problema. E não é bem assim. O médico neuropediatra Aparecido Andrade explica que se há deficiência mental é isso ''e ponto''. O restante - desenvolvimento do corpo, das emoções e da sexualidade - é o mesmo que de qualquer outra pessoa.
Para explicar isso, Solange costuma citar uma ''fórmula'' que criou: Q.I. (quociente de inteligência) é diferente do Q.A. (quociente de afetividade) e também diferente do Q.S. (quociente de sexualidade). ''A defasagem é na área intelectual e cognitiva, a sexualidade se mantém preservada'', pondera.
Apesar disso, não é raro ouvir de pais de especiais que seus filhos são ''verdadeiros anjos'' ou ''eternas crianças''. O que pode, na verdade, estar escondendo a tentativa de protelar, ''postergar para muito depois'', a manifestação da sexualidade. ''Ou mesmo negar, achando que os filhos são assexuados'', ressalta Solange.
Negar ou retardar a sexualidade, pode resultar em pessoas emocionalmente incompletas. Ou, se não houver orientação de como, quando, onde e com quem podem manifestar sua sexualidade, o resultado podem ser condutas sociais alteradas. A psicóloga Mírian Dorta ainda alerta que a repressão pode levar a sintomas sexuais perversos. ''Saber a dose certa da colocação de limites possibilita a descarga sexual, sem a repressão. Mas enxergar isso tem a ver com a própria sexualidade e o emocional dos pais'', afirma.
Para Solange, orientar os filhos para exercer sua sexualidade, é orientá-los para a vida, ''para a felicidade''. ''Exercer a sexualidade não é uma concessão que os pais dão porque são 'bonzinhos', mas um direito que deve ser garantido'', finaliza.
Serviço:
A palestra ''Sexualidade e Filhos Especiais'' acontece amanhã, às 20 horas, na Associação Médica de Londrina (Avenida Harry Prochet, 1055). Ingressos a R$ 10,00. Mais informações pelos fones (43) 3324-1203 (Tânia ou Adriana) ou (43) 3341-2933 (Leandra)


