Filhos devem ficar fora de reconstituição
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Agência Folha 
Rio de Janeiro - Nem os filhos do casal americano Zera Todd e Michelle Staheli, assassinados em 30 de novembro, nem o casal de amigos Carolyn e Jeffrey Turner deverão participar da reconstituição do crime amanhã. Os Turner, chamados pela filha mais velha dos Staheli, de 13 anos, foram as primeiras pessoas a entrar na casa depois do crime.
O advogado das crianças, João Mestieri, afirmou que ''ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo''. Ele disse não ter recebido intimação para que o menino de 10 anos e a garota de 13 presenciem a reconstituição.
''Quero conversar com o delegado (Marcus Henrique Alves). Vou pedir que ele me explique o sentido da intenção de convocá-los. São duas crianças que precisam ser preservadas, não vejo o porquê da participação delas nessa reconstituição'', afirmou.
Após a conversa com o delegado, o advogado deverá decidir se as crianças estarão na reconstituição, que começará às 8 horas na casa em que a família vivia, no condomínio Porto dos Cabritos (Barra da Tijuca, zona oeste). Ao contrário do que anunciara, Mestieri não entregou à polícia os pijamas que as crianças usavam na noite do crime. Os peritos querem saber se há manchas de sangue nas roupas.
De acordo com o advogado Fernando Fragoso, o casal Turner viajou sábado para os Estados Unidos e não participará da reconstituição. O casal depôs na sexta-feira à Justiça.
O motorista dos Staheli, Sebastião Moura, não recebeu ainda a intimação, de acordo com o advogado Márcio Feijó. Os cinco seguranças do condomínio que entraram na casa depois do assassinato foram intimados e vão participar da reconstituição.
A contraprova do exame com a substância luminol na machadinha encontrada no banheiro da filha mais velha do casal foi feita ontem por peritos da Polícia Civil. O exame foi negativo, segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Anthony Garotinho.
O cientista Cláudio Lopes disse que o luminol não falhou. Segundo ele, seria impossível que o uso de detergente impedisse que o luminol detectasse a presença de sangue. Lopes disse que radiação ou uma grande quantidade de ácido poderiam interferir no resultado.
Ontem, Garotinho pôs em dúvida a eficácia do primeiro teste realizado na machadinha com o produto. Desenvolvido pelo Instituto de Química da UFRJ, o luminol é similar a substâncias utilizadas pelas polícias cientificas de outros países. Em contato com o ferro contido no sangue, torna-se fosforescente, revelando vestígios de sangue imperceptíveis ao olho humano.


