Vânia Moreira
De Umuarama
Cerca de 150 sem-terra, a maioria crianças, fizeram ontem de manhã um protesto em frente à Prefeitura de Mariluz (35 km a sudoeste de Umuarama) contra a falta de escola para as crianças acampadas na Fazenda São Luiz, distante cerca de 25 km da cidade. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mais de 250 crianças de 6 a 12 anos não estão frequentando a escola pela dificuldade de transporte.
Os sem-terra querem que a prefeitura contrate professores para dar aulas no acampamento ou coloque ônibus exclusivos para levar os alunos às escolas do distrito São Luiz ou da cidade.
De acordo com a coordenadora de educação do acampamento, Rosilene de Souza Pereira, para chegar à escola as crianças têm de sair de casa às 5 horas da manhã. É o horário que os ônibus da prefeitura passam para levar os alunos para a escola de São Luiz. ‘‘No distrito, eles têm de esperar quase 3 horas o início das aulas e só voltam para casa às duas horas da tarde’’, disse.
Segundo Rosilene, no ano passado, a prefeitura contratou uma professora para dar aula para os alunos no próprio acampamento. Este ano, o município aboliu as aulas no acampamento e todas as crianças terão de estudar no distrito.
No início da tarde, o prefeito Luiz Alvim Borghette (PFL) reuniu os sem-terra no ginásio de esportes e propôs mudar o horário de funcionamento da escola do distrito para o período da tarde. ‘‘Vamos ter que adaptar os outros alunos e tentar contornar vários problemas que vão surgir, mas é uma alternativa para as crianças não terem de sair de casa de madrugada’’, disse.
Borghette afirma que não pode contratar professores para dar aulas no acampamento. ‘‘Também não há instalações razoáveis, nem merenda’’. O prefeito alegou ainda que não há ônibus suficiente para criar um serviço de transporte exclusivo para os estudantes do acampamento.

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