Os filhos de mães que fumam durante a gravidez correm maior risco de serem diabéticos ou obesos posteriormente, segundo um estudo de pesquisadores suecos publicado na última edição da revista British Medical Journal. A investigação sugere que fumar no início da idade adulta está igualmente associado ao aumento do risco de desenvolver diabetes mais tarde.
Os pesquisadores concluíram que entre os filhos de mães não-fumantes a percentagem de não diabéticos é de 69,8%, enquanto nos filhos de mães que fumam muito essa percentagem cai para os 10,6%.
Os resultados poderão indicar que a exposição no útero ao tabaco desregula o metabolismo, que se prolonga no futuro, possivelmente relacionada com má nutrição ou toxicidade. Por isso, sublinham os cientistas, ‘‘fumar durante a gravidez deveria ser fortemente desencorajado’’. Eles recorreram a dados britânicos referentes a cerca de 17.000 nascimentos registados entre 3 e 9 de março de 1958 para realizarem o estudo.
Foi recolhida informação sobre o hábito de fumar durante a gravidez (a partir do quarto mês) junto às mães na data do nascimento, voltando a ser inquirida essa situação em 1974. O comportamento do grupo dos filhos foi recolhido durante uma entrevista aos 16 anos de idade.
Exames médicos e análises realizados aos 7 e 16 anos, e uma entrevista aos 33, permitiram identificar a existência de diabetes nos filhos de mães fumantes.
Naqueles que foram acompanhados durante a infância e a adolescência até os 33 anos, os cientistas identificaram 15 homens e 13 mulheres, entre os 16 e os 33 anos de idade, com diabetes, e 602 indivíduos (10%) obesos aos 33 anos. Os filhos de mães fumantes não diabéticos revelaram mais tendência para a obesidade ou excesso de peso aos 33 anos de idade.
Cerca de 66,1% dos indivíduos não-fumantes aos 16 anos de idade não eram diabéticos, enquanto 28,6% dos fumantes de mais de 30 cigarros por semana nessa idade contraíram a doença.
Em Portugal existem entre 400 e 500 mil diabéticos e a doença é a primeira causa de amputações não traumáticas, de insuficiência renal e de enfarte do miocárdio em indivíduos com menos de 40 anos, segundo dados da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).
O número de cigarros vendidos em Portugal tende a aumentar. A parte da população mais responsável pelo acréscimo são as mulheres, entre as quais o fumo se popularizou nos últimos anos. O acréscimo ocorreu também nas camadas da população com maior nível de educação e com menor idade.

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