Filhos de Hussein saem às luzes
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segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Suleiman al-Khalidi 
Amã, 08 (AE-REUTERS) - Jordanianos viram hoje (08) não apenas o funeral do rei Hussein, mas também tiveram a melhor visão até agora dos cinco jovens príncipes que estão no centro do poder real.
Os cinco filhos do rei Hussein carregaram o caixão de seu pai durante o cortejo fúnebre visto por um grande número de líderes mundiais na Jordânia e milhões de outras pessoas acompanhando a transmissão ao vivo da cerimônia na televisão deste país de desertos e no exterior.
Os cinco permaneceram silenciosos ao lado do túmulo enquanto era descido o corpo do monarca no cemitério real do palácio de Raghadan.
Entre esses atos, os príncipes das esposas britânica, palestina e americana - em ordem de idade, o recém-coroado Abdullah, Feisal, Ali, Hamza e Hashem - trocaram animadas conversas enquanto esperavam entre os dignatários jordanianos a chegada do caixão do palácio.
O príncipe Hamza, o filho mais velho de 18 anos da rainha Noor, nascida nos EUA, falava com seus irmãos, apenas um dia depois que ele foi apontado como príncipe herdeiro para atender um dos últimos desejos de seu pai.
Hamza retirou contas brancas de orações de seu bolso para mostrar ao príncipe Ali, 22 anos, seu meio-irmão da mulher palestina de seu pai, rainha Alia Toukan. O príncipe Feisal, filho da britânica de nascimento Toni Gardner e irmão pleno do novo rei, observava.
Os filhos do rei Hussein educados no Ocidente vestiam o tradicional turbante árabe para ocasiões sombrias, mas suas maneiras revelavam mais uma educação previlegiada no exterior do que a arte da política tribal.
Jordanianos do círculo social deles dizem que uma criação superprotegida não os expôs suficientemente às preocupações do dia- a-dia do povo. Uma das tarefas mais difíceis deles será o de cultivar o toque populista que o pai deles dominava com maestria, uma peculariedade que o tornou amado por seus muitos súditos em seus 47 anos de governo.
Fonte palacianas dizem que a nova geração de príncipes ainda está lutando com os desdobramentos do último ato político de seu pai - mudar a sucessão para marginalizar seu irmão Hassan e levar ao trono Abdullah, com Hamza como príncipe herdeiro.
A decisão irá influenciar a sorte da governista família hachemita por muitos anos.
"Isto irá mudar a vida deles para sempre. Eles sempre estiveram sob as asas do pai. Agora eles têm de assumir suas obrigações como filhos do rei Hussein e não estou certo se eles não foram jogados muito prematuramente no centro do palco", disse uma autoridade.
A família tem tentado abafar rumores de disputas e rivalidades internas surgidas desde que o rei marginalizou o príncipe Hassan, seu herdeiro designado por 34 anos. Alguns dizem que a decisão política mais difícil do rei enquanto lutava contra o câncer foi a escolha de que filho deveria ter seu legado.
O desejo do rei Hussein de ter um de seus filhos no trono para continuar a dinastia hachemita nunca foi um segredo. Ele preparava seus filhos para o cargo, mas ficou claro em anos recentes que ele tinha em mente seu filho favorito Hamza.
Mas ele finalmente escolheu o mais velho, Abdullah, de 37 anos, quando a repentina deterioração de sua saúde após o retorno no mês passado de seis meses de tratamento de câncer nos Estados Unidos não o deixou com muitas opções.
Desde a radical mudança na linha sucessória, os membros da família real passaram a assumir um perfil público mais destacado.
Para a maioria dos jordanianos, a instituição não era a monarquia, mas o homem que moldou a identidade do país durante décadas de guerras e conflitos regionais.
Os rostos mais jovens da realeza agora no topo são um sinal pouco familiar mas eles terão de preencher o vazio promovendo uma monarquia que se adaptará às realidade de um novo milênio.


