Curitiba- Foram 15 anos de procura, mas finalmente o mecânico Francisco Constantino, de 49 anos, encontrou o pai que nunca havia conhecido. Com a ajuda de um programa do governo estadual, o Procuro Você, Francisco reencontrou-se ontem com seu pai, Tomás Constantino, de 80 anos, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.
A emoção de Francisco foi maior ontem não apenas por finalmente conhecer seu pai, mas também por descobrir detalhes de sua infância que sempre lhe pareceram misteriosos. Apesar de afirmar ter ''vagas lembranças'' de ter dois irmãos, a memória mais longínqua de Francisco é de já estar morando sozinho na região de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), onde uma família lhe adotou e o levou para São Paulo. ''Durante muito tempo, pensei que meus pais haviam me abandonado. Mas como eles haviam me deixado com a certidão de nascimento, eu pensei que, no fundo, eles ainda tinham chance de me reencontrar'', afirmou Francisco.
Ontem, Tomás contou ao filho o que havia acontecido com a família no início da década de 50. Quando ainda moravam em Mandaguari, a mulher de Tomás o abandonou levando Francisco e mais dois filhos para Jaguapitã. Depois disso, Tomás mudou-se para Almirante Tamandaré e não teve mais notícias da família. ''Soube que minha esposa já faleceu. Outro filho meu que foi-se com a minha esposa, o Ademar, me encontrou há cerca de 15 anos. Ele estava muito doente. Não sei o que aconteceu com ele'', lamentou Tomás.
Francisco confessou ontem que pretende procurar também agora Ademar, na esperança que ele ainda possa estar vivo. O reencontro com o pai acendeu de novo a esperança de conhecer o resto de sua família. ''Desde 1988 eu comecei a procurar, buscando em cartórios eleitorais, correios, etc. Confesso que ao longo desses 15 anos a esperança às vezes morria, mas sempre voltava aquele desejo de encontrá-los'', disse Francisco.
O futuro de pai e filho ainda vai ser definido. ''Quero esquecer o passado e ver o que vai acontecer agora. Com certeza, manteremos mais contato'', afirmou Francisco. Antes de encontrar o filho, Tomás já oferecia a hospitalidade paterna, mesmo morando em uma casa humilde. ''Se ele não tiver onde ficar, pode ficar aqui em casa. Tenho a escritura, pago os impostos, está tudo certinho'', orgulha-se Tomás. Francisco, porém, prefere esperar um pocuo mais. ''Eu e minha esposa temos boas condições em São Paulo, mas é melhor esperar para nos conhecermos melhor e ver se ele gostaria de deixar o Paraná. Tudo a seu tempo. O importante é que tudo deu certo'', comemorou Francisco.

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