Filho do chefe da Casa Civil está ilha sem pagar hospedagem nem taxa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 21 (AE) - O universitário Luiz Fernando Carvalho
de 29 anos, filho do ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, está na Ilha de Fernando de Noronha há um mês, sem pagar hospedagem nem a Taxa de Preservação Ambiental, que é de 14,75 reais ao dia. O administrador de Fernando de Noronha, que é distrito de Pernambuco, Sérgio Salles Vaz, afirmou que Fernando Carvalho, que é formando de Turismo na Universidade de São Paulo (USP) está na ilha a convite dele, participando da elaboração de um estudo para determinar a capacidade de suporte do local.
O chefe da Casa Civil foi acionado recentemente pela Justiça por ter usado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir a Fernando de Noronha, no carnaval, com a família, hospedando-se, durante sete dias, de graça, no Hotel de Trânsito da Aeronáutica.
O estudo feito pelo universitário é coordenado pela Diretoria de Ecossistema do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio informal da organização não-governamental (ONG) de defesa ecológica WWF.
O administrador conhecia o rapaz de outras visitas à ilha. Ao manifestar interesse em integrar a equipe de estudo, ele foi aceito, ficando acertada a dispensa da taxa diária e a hospedagem. Em contrapartida, Fernando Carvalho não cobraria pelo trabalho.
Vaz enviou ofício ao professor Américo Pellegrino Filho, do curso de Turismo, pedindo a liberação do aluno por três meses. O administrador afirma ser comum a liberação da taxa de preservação, quando se trata de pesquisadores. Tanto que outros dois pesquisadores do Ibama que se encontram em Fernando de Noronha, os biólogos Gustavo Monteiro Félix e Fábio Azevedo, também foram dispensados desse pagamento. Entretanto, eles pagam pela acomodação, sem qualquer ajuda do governo federal ou estadual.
Fernando Carvalho está hospedado na Casa da Administração da Ilha, que era ocupada pela Assessoria de Imprensa e pela Superintendência de Infra-Estrutura. Salles afirma que as despesas da casa são divididas entre os três moradores.


