Filho de Pitta é acusado de agredir namorada
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Natalie Antar 
São Paulo, 24 (AE) - O filho do prefeito Celso Pitta (PTN), Victor, de 25 anos, foi parar na delegacia hoje de manhã, acusado de agredir a namorada, a universitária Daniella Giannoni Negro, de 21. A briga ocorreu no flat, na região dos Jardins, onde mora a amiga de Daniella, Carla Freitas Lima, de 23 anos, que também disse ter sido vítima da fúria de Victor. No 78.º Distrito Policial, os três trocaram acusações sobre a autoria da agressão. Minutos depois chegou ao local a ex-primeira-dama Nicéa Pitta, que defendeu o filho e acusou Daniella de ser ex-garota de programa, a quem Victor teria ajudado a tirar da prostituição. A universitária negou.
Para os policiais, o filho do prefeito afirmou que foi ameaçado e agredido pelas garotas, que viajaram para a praia no fim de semana com o seu carro, um Vectra cinza, sem autorização. As meninas alegam que foram elas as vítimas de agressão, além de terem seus celulares quebrados por Victor, que foi até o flat de Carla pela manhã. O filho de Nicéa era o único que apresentava sinal de agressão, um leve corte em um dos dedos da mão direita. O celular de Daniella estava totalmente destruído e o de sua amiga não foi encontrado.
Os três foram para a delegacia depois que um funcionário do flat ouviu os gritos dentro do apartamento e ligou para a Polícia Militar. Os protagonistas da briga, com Nicéa Pitta, tumultuaram o terceiro andar da delegacia. No boletim de ocorrência, registrado como lesão corporal e danos materiais, não foi especificado quem era a vítima e o agressor. As três pessoas foram citadas como partes. Um inquérito será aberto para apurar o caso. Os três vão passar por exame de corpo de delito.
Segundo Nicéa, seu filho conheceu Daniella há cerca de um ano, em uma boate de prostituição. "Ele gostou dela e disse que iria ajudá-la a sair daquela vida e acredito que Victor estava conseguindo isso", disse. "Achei essa atitude muito nobre por parte do meu filho."
Ela contou que, há cerca de uma semana, Daniella bateu o carro de sua mãe e, por isso, pediu o carro de Victor emprestado. "Ele emprestou o Vectra para a mãe dela, que precisa do carro para trabalhar", afirmou Nicéa. "Daniella pegou o carro e sumiu durante o feriado, depois disse que estava em Maresias com uma amiga."
"Ficamos preocupados com o sumiço, pois, com tantas acusações de corrupção, pensamos que alguém pudesse ter feito mal para ela", disse Nicéa. "Depois, Daniella queria que meu filho mentisse para mãe dela dizendo que ele estava na praia com a namorada."
A universitária rebateu as acusações de Nicéa. Ela negou ser namorada de Victor. "Eu apenas tive um relacionamento com ele, mas já acabou."
Daniella, que mora com sua família no bairro de Santana, na zona norte, admitiu não ter avisado Victor de que iria para a praia com o seu carro. "Ele tinha me emprestado o Vectra há algum tempo e eu não dizia onde ia com ele", declarou. "De manhã, ele apareceu nervoso e, depois de fumar maconha, agrediu a gente." Victor e Nicéa negaram essa versão. O advogado da universitária, Hélio Bialski, informou que já entrou com representação contra Victor. "Também levantarei o que a mãe dele está falando para tomarmos providências."
Em relação ao prefeito, Nicéa disse que ele não estava sabendo do caso. "Ele não faz parte da família e só vai saber do caso pela imprensa."


