São Paulo, 21 (AE) - O filho do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), Victor Nascimento Pitta, de 25 anos, prestou depoimento hoje por pelo menos três horas, no Setor de Apuração de Crimes Contra Prefeitos, na Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo. A reportagem apurou que Victor prestou esclarecimentos sobre as denúncias feitas pela mãe, Nicéa Pitta, na semana passada.
O depoimento, mantido sob sigilo, estava marcado para às 11 horas, mas aconteceu apenas no período da tarde. Victor saiu de sua casa, nos Jardins, por volta das 15 horas, deitado no banco traseiro de um Santana azul, com a cabeça coberta por uma toalha. Durante todo percurso, ele foi protegido por dois homens que estavam num carro de uma empresa particular de segurança. Ao subir para depor, os seguranças ficaram esperando na saída do prédio do Ministério Público Estadual (MPE). Na volta à casa, às 19 horas, Victor também chegou escondido no banco traseiro do carro.
Pelo menos dois promotores confirmaram o depoimento dado por Victor. Ele foi ouvido por dois procuradores e promotores. O objetivo seria fazer uma comparação entre as depoimentos de mãe e filho. Entretanto, nem os representantes do MPE e da Procuradoria-Geral da Justiça quiseram fazer comentários hoje sobre teor das declarações de Victor.
Segundo a assessoria do Ministério Público, ainda não existe data marcada para um depoimento de Celso Pitta.
"Ele deve ser o último a ser chamado", disse um promotor. Os advogados do prefeito protocolaram no Ministério Público uma petição para que ele seja chamado para depor. O objetivo de Celso Pitta, seria rebater as acusações de Nicéa, que o acusou de dar dinheiro para que vereadores da Câmara de São Paulo votassem contra o pedido de impeachment, em maio de 1997.
Pitta deve ser ouvido pela Procuradoria apenas depois que promotores e procuradores compararem o depoimento de Nicéa com os 120 inquéritos sobre a "máfia dos fiscais" que estavam em andamento.
Na petição, os advogados argumentam que as denúncias feitas por Nicéa têm sido aceitas como verdades absolutas pela população, mas ela não teria provas. Com base nisso, Celso Pitta iria usar o depoimento para se defender.
O advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira foi procurado diversas vezes pela reportagem hoje no escritório, mas não foi encontrado para comentar o caso. Hoje o delegado Itagiba Franco, do Departamento de Investigação e Registros Diversos, que preside as investigações no caso do Anhembi Turismo e Eventos, disse que não vê necessidade de chamar Nicéa para ser ouvida porque o depoimento dela não trouxe nenhuma novidade para as investigações conduzidas por ele.
Segundo Franco, ainda não existe data para ouvir os depoimentos do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), do secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, e do ex-secretário de Governo Edevaldo Alves.

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