Filho de paciente doa macas para HU
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Davi Baldussi <br>Reportagem Local 
Londrina - O aposentado Pedro Ferreira recebeu por telefone a notícia de que seu pai Antônio Ferreira, de 84 anos, havia sofrido um acidente em sua casa em Primeiro de Maio (Norte) e quebrado o fêmur. Teve início uma longa maratona para Antonio que veio de carro de Goiânia (GO), onde vive, para socorrer o pai.
Três dias após o acidente Pedro ainda insistia para que o pai fosse transferido para um hospital de alta complexidade em Londrina, a fim de que passasse por uma cirurgia ortopédica. No dia 9 de julho, Antonio foi transferido para o Hospital Universitário (HU).
''Chegamos umas 8h30, mas a ambulância precisou nos esperar até 14 horas porque não tinha maca no hospital para o meu pai, então ele precisou ficar na maca da ambulância'', contou.
O episódio motivou Pedro Ferreira a doar cinco macas ao hospital. ''Eu vi a boa vontade do pessoal, mas também a falta de estrutura. Por isso resolvi doar as macas. Não tem a pronta-entrega, mas o pessoal do hospital me ajudou a comprar e deve chegar em alguns dias. Os políticos tinham que começar a ser atendidos no serviço público, acho que assim ia aparecer mais maca. No hospital tinha até um homem que havia caído de moto e quebrado o braço. Ele estava com papelão no braço'', relatou.
Ferreira gastou cerca de R$ 3 mil para adquirir as macas. ''Ia comprar quatro macas, mas na pechincha me deram um desconto e acabei levando cinco'', acrescentou. Ontem Pedro e Antônio voltaram para Primeiro de Maio. O paciente não precisou passar por cirurgia.
A superintendente do HU, Margarida Carvalho, afirmou que as macas não resolvem o problema de superlotação, mas disse que atitude de Ferreira ''é exemplar''. ''Mais macas ajudam, mas não resolvem a superlotação no PS, resultante de problemas no fluxo de encaminhamento de pacientes e de pessoas que fazem a procura direta, mas que poderiam ser tratadas nos atendimentos primários e secundários.''


