São Paulo, 02 (AE) - Primeiro aluno de sua turma no vestibular para o curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC), primeiro aluno na Academia de Polícia, delegado-chefe do Grupo de Operações Especiais (GOE), um dos setores de elite da Polícia Civil. Luciano Heitor Beiguelman tinha fama de policial destemido, sempre disposto a sair à caça de criminosos, mesmo nos chamados pontos críticos da cidade.
Aos 31 anos - completaria 32 em março -, Beiguelman dizia que a polícia era sua segunda casa e estava fazendo o que gostava. Tinha contrariado o pai, médico especializado em engenharia genética, que imaginava para o filho uma carreira promissora na medicina.
No começo da vida profissional, trabalhou como delegado operacional (responsável por rondas dia e noite) na zona oeste. Depois ficou algum tempo no Departamento de Polícia do Consumidor, acompanhando o delegado Eduardo Hallage. Mas o que Beiguelman queria mesmo era o trabalho de rua.
Promovido à chefia do GOE, comandava 150 policiais. A equipe era encarregada de apoiar os distritos da capital, impedindo invasões e fugas de presos, e investigar quadrilhas de assaltantes, ladrões de carros e traficantes.
Há quatro anos, Beiguelman tinha sido vítima de tentativa de assalto. Chegava ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), na Rua Ferreira Araújo, Pinheiros
quando dois ladrões o atacaram para roubar seu carro. O delegado reagiu. Matou um ladrão e baleou o outro, condenado a quase 100 anos por assaltos.
Impunidade - "A impunidade está gerando esta violência", afirmou o diretor do Decap, delegado Gerson de Carvalho, ao qual Beiguelman era subordinado. "Ele era um delegado valente e tinha um futuro brilhante na polícia." O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Paulo Roberto Siqueto, defendeu hoje a reestruturação da polícia para conter a criminalidade. "É preciso prestigiar o policial, e não criticá-lo", afirmou, referindo-se à maneira como a Polícia Civil é tratada nos relatórios da Ouvidoria da Polícia. Para Siqueto, a Ouvidoria só destaca queixas, deixando de lado casos esclarecidos.
Além do assassino de Beiguelman, Carlos Fernando Manão, a polícia deteve seu pai, Sérgio Ferreira Manão, e dois primos. Autuado por resistência, Ferreira pagou fiança e foi liberado. Os primos do ladrão foram autuados por favorecimento e liberados.

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