Filho de ex-secretário diz que soltou preso sem autorização judicial
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques (enviado especial) 
Maceió, 10 (AE) - O servidor público Eduardo Amaral, filho do ex-secretário de Segurança Pública José do Azevedo Amaral, confirmou, em depoimento à CPI do Narcotráfico, que, em 1996, retirou da cadeia, em Arapiraca (AL), o empresário José Severino da Silva, o "Severino da Bananeira", sem autorização judicial, e o transferiu para Maceió. Severino, considerado o empresário mais rico de Arapiraca, era acusado de receptação de cargas roubadas.
Eduardo Amaral disse que o transferiu para a capital alagoana - onde 14 dias depois acabaria sendo libertado, já que o Ministério Público não apresentou denúncia contra ele -, porque haveria um plano para matar o empresário. Mas a CPI, durante o depoimento de Amaral, convocou o juiz Severino Brito, que havia dado a ordem de prisão do empresário, e o magistrado afirmou que não havia plano para matá-lo. O deputado Robson Ruma
coordenador dos trabalhos da CPI em Alagoas, disse que Eduardo Amaral, na verdade, promoveu uma fuga.
Eduardo Amaral, em entrevista que deu antes de depor, não confirmou a versão do ex-governador Geraldo Bulhões de que o médico-legisla Badan Palhares teria recebido R$ 400 mil para forjar o laudo da morte de Paulo Cesar Farias e Suzana Marcolino
em junho de 1996. "Bulhões vai ter que provar isso", afirmou servidor.
Ele disse que soltou "Severino da Bananeira" por determinação de seu pai, o ex-secretário de Segurança. Hoje à noite ainda a CPI ouvirá o depoimento do italiano Domenico Verde
condenado há de 12 anos de prisão na Itália, por associação mafiosa, e preso em Alagoas, mas solto porque o pedido de sua extradição teria sido negado.


