São Paulo, 28 (AE) - O delegado Itagiba Franco, que investiga possíveis irregularidades na Anhembi Promoções e Turismo, ouviu hoje o filho do deputado Wagner Salustiano (PPB-São Paulo), Laércio do Amaral Salustiano, de 31 anos, suspeito de ser funcionário fantasma da empresa. Ele era contratado como consultor técnico II desde 1996 e recebia um salário de aproximadamente R$ 4,6 mil. Segundo o delegado, Salustiano teria conseguido a colocação por meio da influência do ex-prefeito Paulo Salim Maluf e de seu ex-secretário de governo Edevaldo Alves da Silva. Sua contratação teria sido uma forma de recompensa por ter trabalhado na campanha de Maluf.
"O depoimento não foi convincente", disse o delegado. Franco admitiu que, entre as pessoas ouvidas até agora nas investigações, pelo menos 15 - inclusive Salustiano - devem ser indiciadas por estelionato. "O crime pode ser caracterizado, uma vez que elas recebiam salários sem trabalhar", afirmou Itagiba Franco. Segundo ele, entre os suspeitos há pessoas diretamente ligadas a políticos, mas o delegado preferiu não revelar os nomes.
Ele também investiga a contratação irregular de outros dois parentes do deputado: sua filha Andressa e Walter Salustiano, outro irmão do político. Em seu depoimento, Laércio Salustiano não soube definir exatamente o qual era sua função na Anhembi. Disse apenas que fazia vistorias durante o carnaval, feiras de automóveis e outros eventos. Ele, entretanto, disse não ter crachá ou outro registro que comprovasse suas afirmações.
VISITA - Hoje à tarde, o vereador José Izar (PL) esteve na Delegacia de Registros Diversos (DRD) para conversar com os delegados Naief Saad Neto e Romeu Tuma Júnior. Ele disse apenas que queria saber "se estava tudo bem com os documentos que havia prometido encaminhar aos policiais, durante seu depoimento". Na saída ele tomou café e aproveitou para visitar uma loja de roupas, em frente à delegacia.
No começo da noite, peritos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) estiveram na DRD para examinar o caminhão de som, detido ontem (27), a pedido de Tuma Júnior, durante manifestação. Até as 19h30, entretanto, não havia conclusão sobre a vistoria.

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