Filho de Covas rebate denúncias e ameaça processar quem o difama19/Mar, 19:47 Por Fausto Macedo São Paulo, 19 (AE) - Zuzinha partiu para a briga. Cansado de ver os adversários do pai - o governador de São Paulo Mário Covas (PSDB) - lançarem seu nome no centro de escândalos de corrupção na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), o advogado Mário Covas Neto, o Zuzinha, rompeu um silêncio de cinco anos e três meses e distribuiu carta-desabafo de duas páginas. Em 34 linhas, Zuzinha revela seus motivos, diz que "o dano causado à sua imagem é grande", que sua reputação "está em causa", que sempre foi "avesso à idéia de se manifestar publicamente a respeito das acusações", e admite o temor de que "esse assunto seja objeto de exploração indevida nas próximas eleições municipais". Sete mil cópias da carta estão na praça. Políticos, correligionários, cabos eleitorais, colaboradores das campanhas de Covas, tucanos de carteirinha, empresários, advogados e prefeitos - saudados com um singelo "prezado companheiro" - receberam o texto produzido por Zuzinha. "Processarei todos que me difamarem", avisou. "Mas isso não basta, a minha imagem já está arranhada e conto apenas com a Justiça e com a minha consciência". A carta de Zuzinha alvoroçou os tucanos e pôs em estado de alerta a tropa de choque do Palácio dos Bandeirantes - formada por assessores do primeiro escalão de Covas e parlamentares que têm a missão de sufocar iniciativas de investigação sobre os negócios da CDHU. Havia receio de que o gesto do filho do governador pudesse alimentar a polêmica sobre a estatal que conduz o principal projeto social do PSDB e dá sustentação às campanhas eleitorais do partido. Decisão pessoal - "Foi uma decisão pessoal", afirmou Zuzinha, que tem 40 anos e é piloto de stock car nas horas vagas. "Mostrei a carta ao meu pai apenas para que não ficasse sabendo por terceiros; não perguntei a ele o que achava, não fui consultá-lo nem pedir sua aprovação porque esse gesto é meu, não é dele", explicou. O advogado disse que resolveu dar "uma satisfação" aos amigos. "Incomodo o governo do meu pai à medida em que meus detratores me colocam num mundo que não é meu". Zuzinha explicou que as frequentes citações ao seu nome - vinculando-o a setores endinheirados da administração pública - deixaram-no numa situação constrangedora. Disse que vai processar o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), um dos que o acusam de integrar esquema na CDHU. "Eu fico me questionando até mesmo se devo ir ou não a algum evento com meu pai; não posso viver assim", quexou-se. "As pessoas tendem a acreditar no envolvimento de homens públicos com a corrupção, mas isso não vale para o caso do meu pai", acrescentou. "A oposição insinua ligação do tal Zuzinha com vários órgãos estaduais, como alguém poderoso e que arquiteta esquemas em favor de empresas". Tejofran - Zuzinha acredita que o conceito do pai - "absoluta correção, conduta moral e ética acima de qualquer suspeita" - provoca os ataques. "Uma vez que o governador não pode ser acusado, busca-se alguém próximo a ele, virei a figurinha das coisas ruins", protestou. "Parece verossímil que possa beneficiar-me de uma rede de corrupção no governo, há vários exemplos de parentes envolvidos em esquemas escusos". Os opositores sustentam que a empresa Tejofran Saneamento e Serviços Gerais é beneficiada por contratos generosos do governo Covas. O diretor-presidente da Tejofran é o empresário Antonio Dias Felipe, padrinho de casamento de Zuzinha. Dizem ainda que ele tem forte influência na CDHU - presidida até janeiro por Goro Hama, amigo de Covas e réu em seis ações por improbidade administrativa e atos lesivos ao Tesouro. "Sou amigo do Goro, qual é o problema?" Na carta, Zuzinha cita o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-ministro da Justiça, que o teria acusado em carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso de tê-lo pressionado para favorecer a "empresa do seu padrinho".