Filho de co-piloto nega notícias de que seu pai era suicida
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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Donna Abu-Nasr 
Cairo, 17 (AE-AP) - Um dia antes do acidente da EgyptAir, o co-piloto de reserva Gameel el-Batouty enviou à sua família dinheiro para pagar uma conta telefônica, disse seu filho, segundo entrevista publicada hoje (17). Ele negou notícias de que seu pai havia enviado todas as suas economias e que planejava se suicidar.
Mohammed Batouty afirmou ao jornal al-Ahram que conversou com seu pai, que estava nos Estados Unidos, 48 horas antes da queda e pediu a ele para enviar US$ 300 por um amigo que viajava para o Cairo a fim de pagar um conta telefônica no Egito, que vencia em 31 de outubro.
"Pedimos a ele que enviasse o dinheiro antes do vencimento, e foi o que ele fez", disse Mohammed.
Ele negou uma reportagem, que não identificou fontes, publicada no dia 3 de novembro no al-Ahram dando conta que seu pai havia ficado enclausurado em seu quarto por dias antes de partir em sua última viagem para os Estados Unidos. Mohammed também negou notícias da imprensa sugerindo que seu pai havia enviado todas suas economias porque planejava cometer suicídio.
Funcionários da companhia aérea egípcia identificaram a pessoa que estava sentada na cadeira do co-piloto no momento da queda como sendo Batouty, 59 anos, que estava programado para assumir o posto muito tempo depois no vôo, substituindo o co-piloto Adel Anwar, informou à Associated Press uma fonte próxima à investigação nos Estados Unidos.
Os funcionários da EgyptAir identificaram sua voz depois de ouvir as gravações de voz da cabine na sede do Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, pela sigla em inglês).
Outra fonte próxima à investigação, também pedindo para não ser identificada, disse que o audiotape mostrou que num certo momento Batouty "disse que queria voar" e seu pedido foi atendido.
O porta-voz da Embaixada dos EUA David Ballard disse que dois investigadores estão no Egito em conexão com a queda do avião da EgyptAir, um da NTSB e o outro da Administração Federal de Aviação. Nenhum agente do FBI foi enviado do exterior, segundo ele.
Nesta quarta-feira, a família de Batouty recusou-se a conversar com jornalistas depois que jornais locais trouxeram notícias em primeira página dando conta que ele estaria na cadeira do co-piloto no momento da queda.
Um policial fardado com rádio e pistola permanecia na frente do edifício de sete andares onde vive a família Batouty, no subúrbio de classe média de Heliópolis, no Cairo. Ele e o porteiro disseram que a família não queria ser incomodada. Oficiais de segurança afirmaram que a família pediu a presença da polícia.
Amigos e vizinhos se recusam a acreditar em sugestões de que Batouty pudesse derrubar intencionalmente o aparelho.
"Ele era muito religioso", disse Samia el-Sheik Sayyed, uma vizinha que conhece a família Batouty por 30 anos.
"Ele conhecia nosso Deus e ele fez a peregrinação este ano com sua mulher", acrescentou ela, referindo-se à peregrinação anual a Meca.
É estritamente contra o Islã cometer suicídio.
Em entrevistas à AP após a queda, membros da família descreveram Batouty como um pai carinhoso e um homem sensível e compreensivo.
A principal preocupação de Batouty não era voar. Era sua filha de 10 anos, Aya.
Aya sofre de um tipo de câncer. Batouty planejava levá-la para os Estados Unidos este mês, onde tem sido tratada de seis em seis meses.
"Ela era tudo para ele", disse seu cunhado, Essam Dahi, à AP. "Só Deus poderá dar a ela o tipo de amor que seu pai a oferecia".
"Ele era um dos melhores pais do mundo", afirmou à AP na semana passada Mohammed, filho de Batouty. "Ele não nos deixou em qualquer dificuldade financeira".
Os pilotos da EgyptAir ganham em média US$ 8.800 por mês, enquanto que os co-pilotos são pagos em média US$ 1.764.
Dahi havia recentemente perguntado a ele se ficava nervoso voando tantas vezes sobre o oceano.
"Vemos nossas mortes todos os dias sobre o oceano", respondeu Batouty a Dahi.
Mas Batouty não era do tipo que se prendia ao que não podia prever.
Ele era "um homem de experiência, honra e, mais importante, de fé", afirmou Dahi. "Ele era bem treinado e, em troca, treinava os outros bem".
Antes de entrar na EgyptAir em 1987, Batouty, no curso de sua carreira de mais de 35 anos, treinou outros pilotos tanto na Autoridade da Aviação Civil quanto na força aérea. Ele tinha acumuladas 14.300 horas de vôo, 5.064 das quais em Boeings 767, segundo registros da EgyptAir.
"Voar era sua vida e ele sabia que nada substituía a experiência na proteção de sua vida e na de seus passageiros", disse Dahi.
Batouty também era um homem de família, casado havia 27 anos com Omayma Dahi. Eles tinham cinco filhos, quatro dos quais já são adultos.
Batouty iria se aposentar em março.


