São Paulo, 02 (AE) - A empresária Lygia Maluf Cury, filha do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-96), depôs hoje na Polícia Federal em São Paulo no inquérito que investiga a elaboração e a divulgação do dossiê das Ilhas Cayman - uma papelada que aponta detalhes da suposta existência de uma empresa nas Bahamas envolvendo autoridades dos governos estadual e federal.
Lygia negou participação no caso e disse que seu pai não sabia de sua ida à residência da deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), no dia 24 de outubro, um dia antes do segundo turno das eleições para governador. Segundo Marta, a filha de Maluf a procurou para pedir que o PT fizesse uma denúncia que "iria abalar o mundo." Ela estaria se referindo ao dossiê.
Na visita à deputada petista, Lygia estava acompanhada da irmã, Lina, e da cunhada, Jaqueline - filha de Lafaiete Coutinho
ex-presidente do Banco do Brasil no governo Fernando Collor (1990-92). Preocupada em poupar Maluf, Lygia repetiu diversas vezes à Marta: "Papai não sabe que estamos aqui." Lygia teria dito à deputada que não tinha credibilidade para fazer a denúncia.
O depoimento de Lygia durou duas horas e meia - começou às 16 horas e terminou às 18h30. Ela foi à PF escoltada pelos advogados do pai, Jamil Mattar e Edevaldo Alves da Silva, ex-secretário municipal do Governo nas administrações Maluf e Celso Pitta (PPB).
O delegado Paulo de Tarso Teixeira, que conduz o inquérito, intimou a filha do ex-prefeito porque pretende identificar quem distribuiu cópias do dossiê que cita os nomes do presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador Mário Covas (PSDB), do ministro José Serra e do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta (falecido em abril).

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