Filha de Menem deveria US$ 4 milhões a estilista
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 30 (AE) - Seiscentas criações exclusivas para emoldurar o corpo de Zulemita Menem, filha do presidente argentino Carlos Menem, estão sendo o centro de um novo escândalo.
Segundo a estilista Elsa Serrano, Zulemita nunca teria pago os vestidos e tailleurs, acumulando desde 1991 uma dívida de US$ 4 milhões.
As declarações de Serrano, até pouco tempo atrás uma das figuras mais emblemáticas do "menemismo", alimentaram as cada vez mais frequentes piadas sobre o presidente, sua família e seu entourage, que estão a ponto de deixar o poder.
Zulemita já revidou, e iniciou um processo por "calúnias e injúrias", além de pedir que a estilista seja condenada a um ano de prisão.
Segundo os advogados da filha do presidente, Serrano é autora de uma campanha de desprestígio de Zulemita, com o único fim de receber uma altíssima quantia de dinheiro indevido".
Serrano afirma que considera Zulemita como uma filha e diz que somente está pedindo o dinheiro agora porque está a ponto de perder sua casa, que teve de hipotecar. Além disso, sustenta que após a separação de Menem e sua esposa Zulema, Zulemita a procurou como apoio emocional.
"Eu dei minha vida por ela", diz Serrano, que relata seu sacrifício: "durante noites inteiras bordei à mão as pérolas de seus vestidos que tanto gostava. Até dormi no chão de seu quarto no avião presidencial porque ela não queria ficar sozinha".
Serrano é categórica em afirmar que Zulemita adquiriu estilo por intermédio de seus conselhos. "Eu mudei a imagem dela. Antes, ela só queria usar calças, e agora pede decotes profundos e minissaias bem curtas."
Segundo Serrano, quando Zulemita estava mal-vestida, era porque não estava por perto para assessorá-la. "Eu a vesti, fui dama de companhia, fui sua amiga, e fui sua mãe", sustenta.
Serrano sustenta que não obteve um peso da filha do presidente. Mas apesar dos lamentos, soube aproveitar bem a proximidade com o poder. Tornou-se uma presença obrigatória nas viagens presidenciais, acompanhando Zulemita em 20 visitas no exterior, o que lhe possibilitou estar presente em uma audiência privada com o papa, jantar com reis e príncipes e dormir em palácios.
Além disso, graças a seus contatos conseguiu adiar pagamentos de milionários créditos e deixar dívidas sem pagar. Mas o império que construiu no começo do governo Menem desapareceu. De cem empregados, sobram somente 17. Na vitrine de sua loja, "La Maison", tudo está em liquidação.
No crepúsculo profissional, Serrano espera que as mulheres do novo governo, que tomará posse em dezembro, também se interessem pelo seu estilo. Mas as esperanças são poucas. Extremamente identificada com os dez anos de "velho regime", as integrantes femininas do provável novo governo já adiantaram que rechaçam seus paetês.


