Filantrópicos ampliam atendimento ao SUS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os hospitais filantrópicos do Paraná estão atendendo cada vez mais pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as informações do Datasus, a participação deles nas internações do SUS cresceu 52% nos últimos seis anos. Em 2000, o setor era responsável por 30% das internações anuais. Hoje responde por 45,6%. Segundo o presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), Charles London, o principal motivo da expansão no atendimento dos filantrópicos foi a queda da participação da rede privada lucrativa (que segundo a pesquisa Datasus foi de -35,4%).
A rede privada tem deixado de atuar com o SUS devido à tabela de valores de serviços, cirurgias e consultas. Em alguns casos, o repasse estaria defasado em até 300% -principalmente nos procedimentos de média complexidade como internamentos clínicos. ''O segmento é indispensável para a continuidade do atendimento à população mais carente, entretanto, a prestação dos serviços tem que ser viável economicamente'', disse London.
Em Londrina, a Santa Casa é um dos hospitais referência no atendimento ao SUS. São ofertados 330 leitos. ''Em função do fechamento de serviços de saúde privados lucrativos, que não têm interesse de atender o SUS, aumenta a procura nos não lucrativos. Em Londrina, 70% dos leitos do SUS estão nos filantrópicos'', explicou Fahd Haddad, diretor-superintendente da Santa Casa e vice-presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar).
Além dos três hospitais da Santa Casa, atendem pelo SUS os hospitais Evangélico, Antonio Prudente, Zona Norte, Zona Sul e Universitário. Em Rolândia, o único hospital é gerido pela Santa Casa de Londrina. ''A gente assume sempre o atendimento ao SUS porque é nossa missão cuidar dos necessitados. O SUS está aumentando o atendimento em hospitais filantrópicos a cada dia. Mas a tabela precisa ser corrigida para não fecharmos as portas por nos tornarmos inviáveis. Foi o que aconteceu com a Santa Casa em Paranaguá e em Foz do Iguaçu'', lembra Haddad.
Em Londrina, 65% dos atendimentos da Santa Casa são pelo SUS. O índice chega a 90% em Rolândia. ''A remuneração defasada está estrangulando os hospitais filantrópicos. O SUS não cobre nem os custos. O que a gente pede é que o governo federal melhore essa remuneração'', pontuou.


