Curitiba - O segundo dia da greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) provocou cancelamento de cirurgias e longa fila de espera por marcação de consultas no Hospital de Clínicas (HC), um dos maiores de Curitiba. Caso a paralisação seja mantida, a tendência é de que, na próxima semana, a situação fique ainda mais crítica, pois o Sinditest (sindicato que representa a categoria) sinalizou com a possibilidade de reduzir para 30% o número de funcionários no hospital.
Ontem, foram realizadas apenas quatro cirurgias de emergência. Em condições normais, o HC atende entre 35 e 40 intervenções por dia. Segundo informações da assessoria de marketing do hospital, as cirurgias serão remarcadas para daqui 30 ou 60 dias. Na segunda-feira, 16 procedimentos já haviam sido cancelados.
A situação ficou crítica, também, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos, que, ontem, tinha 14 pacientes internados. Cinco dos nove servidores aderiram à greve e o hospital não tem como remanejar funcionários de outras áreas. A UTI está lotada e à medida em que os pacientes tiverem alta da unidade, os leitos não serão ocupados até que a situação volte ao normal. Por essa razão, a diretoria do HC comunicou a Secretaria de Saúde de Curitiba que evite encaminhar pacientes ao pronto-atendimento da instituição.
Os pacientes que procuraram a Central de Agendamento de Consultas do HC, ontem, tiveram que enfrentar espera de mais de duas horas para serem atendidos. Dos 14 funcionários do setor, oito não trabalharam. Houve substituição de servidores, mas, mesmo assim, a fila de espera foi inevitável.
Hoje, a diretora de Assistência do HC, Mariângela Honório Pedrozo, dará entrevista coletiva para outras informações sobre o impacto da paralisação dos técnico-administrativos no funcionamento do hospital. Ela se reuniu, ontem, com o comando de greve, que informou da intenção de mobilizar número maior de servidores. Mariângela aguardará o retorno do diretor-geral, Giovanni Loddo, que está em viagem, para relatar os transtornos ao Ministério Público (MP) federal.

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