Rio, 30 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou hoje que as tarifas vão pressionar menos a inflação em 2000. O diretor participou de um seminário sobre Negociação Secundária de Títulos Públicos na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). Em sua palestra, Figueiredo anunciou que o Banco Central pretende a partir de dezembro diminuir e alterar a forma de suas intervenções no mercado aberto.
O diagnóstico do diretor sobre tarifas toma como base um estudo elaborado pelo banco nos últimos três meses. A estimativa é de que as tarifas oscilem próximas aos índices de inflação. Em 1999, os preços públicos foram um dos principais vilões. "Os contratos negociados no segundo semestre só terão um novo aumento daqui a um ano", explicou. O diretor reiterou o compromisso do governo de manter o sistema de metas de inflação. "A meta de 6% para o IPCA no próximo ano vai ser alcançada", assegurou.
Figueiredo não quis comentar o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontou preocupação com o comportamento da inflação brasileira. Ele se limitou a afirmar que o Banco Central é sempre conservador e atento às metas fixadas pelo governo.
O diretor informou também que a tendência agora é de que a operação tradicional no overnight realizada quase todas as manhãs desapareça. A estratégia do banco é diminuir a previsibilidade sobre o volume de dinheiro negociado no mercado aberto, deixando o sistema balizar seus negócios. Com isso, a autoridade monetária só entraria caso houvesse uma grande escassez ou excesso de dinheiro. Outra mudança seria a forma de atuação, com o Banco Central lançando mão mais frequentemente de leilões informais de títulos públicos. Hoje, o BC concentra suas atuações em reserva bancária. "Esse mercado ficou atrofiado e queremos restabelecê-lo", disse Figueiredo.
Dealers - O diretor revelou que amanhã à noite devem ser conhecidos os novos critérios de avaliação de dealers (instituições pelas quais o BC atua), que serão utilizados pelo BC. Os novos critérios priorizam as operações definitivas e compromissadas. A estimativa é reduzir a quantidade de dealers dos atuais 25 para um número próximo a 20. Os novos critérios vão balizar a escolha dos novos dealers que entrarão em operação a partir de junho de 2000.

mockup