Figueiredo diz que meta de inflação é compatível com crescimento de 4%
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Rita Tavares e Lucinda Pinto 
São Paulo, 25 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, assegurou hoje que a meta de inflação de 6% para 2000 é compatível com um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), previsto pelo governo para este ano. A determinação de atingir a meta, "não desviando nem para cima nem para baixo", justificaria a decisão do Copom, na última quarta-feira, de manter inalterada a taxa Selic em 19%. O diretor disse que o crescimento do PIB não está em risco, como temem analistas do mercado financeiro, porque o BC acredita que há espaço para uma queda futura dos juros.
Segundo ele, é importante que a sociedade saiba que o Banco Central é "o guardião" da meta de inflação de 6%, firmada no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao ter segurança disso, a sociedade poderia atuar mais livremente. "O BC é conservador por definição, para atingir sua meta", afirmou Figueiredo, durante uma teleconferência promovida hoje pela Broadcast, serviço de informação financeira em tempo real da AGÊNCIA ESTADO, em parceria com a Wittel.
A taxa de juros de 19% não é "uma causa, mas uma consequência" de fatos econômicos passados. De acordo com ele, a taxa é proporcional ao "volume de desaforos" passados da economia. "Se os desaforos são pequenos, a taxa é mais baixa. Se são maiores, a taxa é mais alta", disse.
O viés de baixa para os juros, estabelecido pelo Copom na reunião da última quarta-feira, não é, segundo Figueiredo, uma tendência da taxa. "Quando definimos viés, é porque pode existir probabilidade relevante de haver alteração entre duas reuniões do Copom. Isso não caracteriza tendência", desconversou o diretor do BC, tentando abafar expectativas de uma redução da Selic já na próxima semana, quando o cenário internacional for mais favorável.
Revisão das metas trimestrais - Pela primeira vez Figueiredo admitiu que "há espaço" para a revisão das metas trimestrais de inflação acertadas pelo governo com o FMI. Há o temor, entre economistas e analistas, de que o Brasil não cumpra as metas do segundo e terceiro trimestres, respectivamente, de 7% e 6,5%, com uma margem superior de 1 ponto percentual. Isso porque este é o período que concentra o reajuste anual da maior parte das tarifas de serviços públicos, como eletricidade.
O diretor do Banco Central lembrou que o Brasil já conseguiu "um grande avanço" na negociação com o FMI, com a definição das metas inflacionárias, abrindo mão do crédito doméstico líquido como critério de desempenho. "É um processo gradual", definiu Figueiredo sobre uma possível revisão das metas. O FMI só deve aprovar, no final de abril, a última revisão do acordo com o governo brasileiro, concluída por sua missão de economistas na última quinta-feira.
São as metas anuais, frisou Figueiredo, que orientam a política monetária do governo, que define os juros. O diretor do BC afirmou que as metas de superávit primário estabelecidas para 2000 e 2001 serão cumpridas e que não há intenção, por parte da equipe econômica, de modificá-las, apesar da queda na relação dívida interna/PIB que vem ocorrendo. "Nós não queremos e não vamos precipitar nada disso. Ficaremos na meta primária", disse.


