Fiesp vê estagnação da produção e critica ministério
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 31 (AE) - A produção industrial inicia um período de estagnação, cujo prazo de duração é ainda incerto. A esperada arrancada das exportações não deverá ocorrer por causa das condições adversas do mercado e, principalmente, pela ação controvertida do governo. Não há, tampouco, perspectiva de retomada do crescimento do mercado interno, por causa do desemprego elevado e da queda do poder aquisitivo dos salários, segundo análise feita hoje pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva.
Para o presidente da Fiesp, a criação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio frustrou as expectativas dos empresários. A dispersão das atribuições para o fomento e financiamento das exportações impede que os objetivos sejam alcançados, declarou. "O Ministério do Desenvolvimento, na forma como havia sido concebido, deveria ser o principal canal de comunicação entre empresas e governo, além de concentrar os instrumentos que permitam a expansão do comércio exterior."
Isso, porém, não ocorreu, queixou-se Piva. O principal órgão de fomento das exportações, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), segundo o presidente da Fiesp, é produto de uma idéia brilhante, mas não teve o desempenho esperado. Além disso, em vez de somar forças no Ministério do Desenvolvimento, está subordinada à Casa Civil.
A prova de que falta empenho do governo para o crescimento das exportações está na exclusão das empresas relacionadas no Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados para com o Setor Público Federal (Cadin), afirmou. Essas empresas, por estarem na lista de devedores da União, não obtêm guias de exportações, não podendo vender seus produtos no exterior.
Dívidas - Levantamento feito pela Fiesp indica que mais de 80% das indústrias têm algum tipo de débito com o Fisco. Um obstáculo como esse, segundo Piva, dificulta o engajamento das empresas no esforço exportador. Outro impedimento, para ele, é a queda do crescimento da economia mundial, além da desvalorização das commodities no mercado internacional.
A única boa notícia, no que se refere ao comércio exterior, é o restabelecimento das linhas de financiamento para as empresas exportadoras. "As informações que estamos recebendo indicam que o crédito está voltando."
Diante de todos esses obstáculos, a esperança dos empresários está na aprovação da reforma tributária, que, caso seja mantido o formato esperado, deverá isentar da cobrança de tributos as mercadorias durante o processo de produção para só serem oneradas no momento da venda ao consumidor. Com isso, o produto nacional, livre dos impostos indiretos, poderá tornar-se competitivo no mercado internacional.
Piva disse acreditar na possibilidade de a reforma tributária ser votada pelo Congresso Nacional antes do fim do ano. "Até pouco tempo atrás considerava a hipótese remota." O presidente da Fiesp acredita agora que um acordo político poderá remover obstáculos para a aprovação da reforma tributária.


