Fiesp quer reforçar pólos industriais no interior do estado
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 14 (AE) - Um projeto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) propõe a criação de incentivos para o adensamento dos pólos industriais. A entidade, que está mobilizando órgão oficiais ligados às universidades e instituições financeiras, pretende criar uma infraestrutura para que as empresas transfiram suas fábricas para regiões que tenham comprovada vocação em determinadas atividades. Com a aglutinação das empresas, é possível melhorar a eficiência e reunir condições para que a produção paulista se torne mais competitiva e possa participar do mercado internacional.
O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, cita algumas cidades com essas características: Americana e Promissão, nos ramos têxtil e de confecções; Franca, Birigui e Jaú, na produção de calçados, e Marília, no setor de alimentação.
Piva acha que não se deve perder de vista as vocações regionais. A vantagem está na economia de escala, especialmente no fornecimento de insumos e matéria-primas. A aproximação de clientes e fornecedores favorece a formação das cadeias de produção e a significativa redução dos custos.
"Não se trata de esvaziar São Paulo e as cidades da região do ABCD, mas é preciso levar em conta que o custo de manter uma indústria na capital é extremamente elevado", afirmou Piva, que fez hoje palestra na Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Segundo Piva, a vocação da capital paulista é para atividades que envolvem serviços, especialmente na área financeira.
O projeto da Fiesp propõe-se a rever a matriz industrial do estado, criar uma infraestrutura de apoio à indústria, especialmente de pequeno e médio porte e dar apoio para o aprimoramento da produção.
Mobilização - A Fiesp está mobilizando as principais universidades do estado, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e os Ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento para participarem do projeto.
Entrou em contato com Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Nossa Caixa-Nosso Banco, na tentativa de dirigir recursos para financiar a transferência das empresas. Também a infraestrutura do Sebrae deverá ser colocada à disposição das empresas interessas em transferir fábricas para essas regiões.
O presidente da Fiesp afirmou que a indústria paulista precisa de apoio para se desenvolver. Lembrou que a escolaridade média do trabalhor das empresas não passa de três anos. A preparação da mão-de-obra, segundo Piva, é indipensável para que as empresas participem do mercado internacional.
A Fiesp também está mobilizando os órgãos oficiais para a formação de cooperativas de exportação. A experiência foi bem-sucedida em vários países, como Itália e Estados Unidos, afirmou Piva. Como a produção nas pequenas e médias empresas tem pequeno volume, as vendas ao exterior podem ser feitas de forma coordenada, com a participação dessas cooperativas.


