Fiesp quer outro Clóvis Carvalho
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sexta-feira, 03 de setembro de 1999
Por Cley Scholz 
São Paulo, 4 (AE) - Os empresários da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) devem convocar uma reunião extraordinária após o feriado para discutir a mudança no comando do Ministério do Desenvolvimento. Boa parte dos dirigentes da indústria paulista considera lamentável a saída de Clóvis Carvalho. "Quem deveria ser demitido é o Pedro Malan, responsável por uma política econômica que é um verdadeiro suicídio para o setor produtivo", afirmou hoje o primeiro vice-presidente da Fiesp, Carlos Roberto Liboni.
"Se o Clóvis Carvalho caiu, nós queremos outro que, como ele, defenda a produção", acrescenta o empresário, que vai propor aos demais diretores da Fiesp a aprovação de uma moção de apoio ao ministro demitido.
Liboni afirma que chegou a ficar otimista com a possibilidade de troca do ministro da Fazenda, Pedro Malan, quando viu as críticas públicas feitas por Clóvis Carvalho. "Ainda temos esperança de que o Malan seja o próximo a deixar o governo, pois ele não tem mais espaço para derrubar mais ninguém por causa de críticas à política econômica."
O empresário reclama dos efeitos da política de juros altos para conter a inflação: "O setor produtivo está totalmente exaurido, massacrado, com empresários passando a canequinha nos bancos para conseguir pagar salários". Segundo ele, o País precisa pensar no futuro e garantir a sobreviv$ncia das indústrias e a manutenção dos empregos.
Sobre a escolha do sucessor de Clóvis Carvalho, o dirigente da Fiesp diz que os empresários torcem para que seja alguém "alinhado com a produção". Ele lembra que 85% das indústrias de São Paulo estão com processo na Justiça para não pagar impostos como a CPMF, IPI, Cofins e outros.
"Os juros são impeditivos, escorchantes, eliminam totalmente a capacidade de sobrevivência das empresas e enquanto isso vemos que o Banco Itaú, por exemplo, registrou lucro de R$ 1 bilhão no primeiro semestre."
O vice-presidente da Fiesp comenta que os empresários gostaram do discurso de Carvalho, na quinta-feira. "Os termos não eram os mais adequados, e talvez ele pudesse ter utilizado a palavra equívoco ao invés de covardia, mas o importante é que ele defendeu a produção, ao contrário do que costuma fazer o ministro Pedro Malan."


