Fiesp negocia unificação de fundos de aval
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 04 (AE) - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está negociando com órgãos governamentais a unificação dos três fundos de aval para empréstimos a pequenas e médias empresas no Estado de São Paulo. Mário Bernardini, diretor do Departamento de Competitividade Industrial da Fiesp diz que atualmente a pequena empresa industrial, para conseguir financiamentos, precisa se adaptar a exigências diferenciadas conforme o órgão que concederá o aval (BNDES, Sebrae ou Secretaria da Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Social do Estado de São Paulo).
Segundo o empresário, um dos problemas básicos de fluxo de financiamentos para as pequenas empresas é o das garantias (ou avais) aos empréstimos. O empresário afirma que a Fiesp está procurando conversar com os dirigentes do BNDES, Sebrae, Nossa Caixa, Nosso Banco e secretaria da Ciência e Tecnologia para unificar os critérios e as porcentagens cobertas dos financiamentos. Segundo ele, a Nossa Caixa pediu cadastramento para operar com Finame (agência de financiamento de máquinas e equipamentos) junto ao BNDES, mas não está operacional.
As garantias para os financiamentos são ainda parciais e também diferenciadas. O BNDES dá garantia, por exemplo, a 70% do empréstimo; o Sebrae, 50% e no caso da Nossa Caixa, Nosso Banco ainda não há regulamentação. O que a Fiesp pretende é uma unificação nesses percentuais de garantia. Bernardini afirma também que é preciso que os agentes distribuidores do crédito do BNDES (basicamente, bancos privados) unifiquem a análise de crédito e não peçam garantias complementares.
O empresário observa que se o Sebrae concede garantia de 50% do crédito, o banco privado exige garantia para o resto do empréstimo. "Não é possível, no entanto, que para um empréstimo de R$ 100 mil o banco privado exija uma garantia de R$ 200 mil" para distribuir um fundo do BNDES, afirma Bernardini. Segundo o empresário, não adianta nada ter garantia do BNDES, por exemplo, se o banco privado continua pedindo todas as garantias que exigia antes de existir o fundo de aval.
Bernardini observa que as negociações com os órgãos governamentais estão nessa linha, mas que ainda é preciso conciliar interesses e consultar posteriormente os bancos comerciais repassadores, como o Bradesco. O empresário afirma que agora é praticamente inexistente o volume de recursos para pequenas empresas realizarem seus investimentos. Segundo ele, o que está disponível nos bancos é basicamente a operação de desconto de duplicatas, mesmo assim com custos elevados (de 4% a 5% ao mês). O BNDES elevou recentemente os limites de financiamento para pequena empresa de 60% para 90% do valor da máquina e equipa mento financiada.
O problema é fazer com que esses recursos cheguem às pequenas empresas. Os juros nos financiamentos a máquinas e equipamentos do Bndes são Taxa de Juro de Longo Prazos (TJLP) - 12% ao ano - mais 2,5% ao ano e mais o ganho do banco repassador (entre 4% e 5%). "Os juros do BNDES não estão ruins, o problema é que faltam instrumentos para que os recursos cheguem para financiar os investimentos de pequenas e médias empresas", afirma Bernardini. Segundo ele, existe dinheiro no BNDES, mas os recursos são basicamente direcionados para as grandes empresas.


