São Paulo, 1 (AE)- A defesa dos interesses da indústria farmacêutica, que está sob fiscalização da CPI dos Medicamentos, fez crescer o prestígio do presidente da Abifarma (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica), José Eduardo Bandeira de Mello. Agora, ele passará a defender os interesses do setor industrial de São Paulo, já que assumiu a vice-presidência do Conselho Superior de Orientação Política e Social (Cops) da Fiesp.
À medida que a indústria farmacêutica recebia críticas por uma série de supostas irregularidades, o que arranhava a imagem do setor, os empresários mais se encantavam por Bandeira de Mello, já que ele não estaria defendendo apenas seus interesses, mas de todo o setor produtivo. Houve um "reconhecimento", como diz um empresário, ao trabalho de Bandeira de Mello, tido como "arrojado". Até então, ele coordenava o Núcleo de Ação Política da Fiesp.
O diretor adjunto do Departamento Econômico, Roberto Faldini, resume este pensamento: "O trabalho do Bandeira de Mello foi excepcional. Houve um incêndio acalorado no primeiro momento que foi, paulatinamente, esvaziado"."É importante pessoas, como o Bandeira de Mello, que têm força para transmitir o que pensamos", disse Faldini.
A frente da Abifarma desde 1993, Bandeira de Mello, de 60 anos, é um executivo contratado para representar os interesses do setor. Em março de 2001, vencerá o contrato e ele já disse a amigos que não pretende continuar na associação. Filiado ao PMDB e com atuação no diretório do partido em São Paulo, Bandeira de Mello gosta de fazer política e já deixou claro que tem pretensões políticas.
Há duas semanas, o presidente da Fiesp, Horácio Piva, valendo-se da prerrogativa que o cargo lhe proporciona, convidou Bandeira de Mello para o conselho, presidido por Mário Amato e composto por 21 notáveis, como o jurista Miguel Reale, os ex-ministros Jarbas Passarinho e Cirne Lima e os acadêmicos Bolivar Lamounier e Aspácia Camargo. O Cops reúne-se mensalmente para traçar estratégicas políticas e a próxima será no dia 15 de março.