Fiesp e Nossa Caixa assinam convênio que abre crédito para microempresa
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 20 (AE) - Os presidentes da Fiesp, Horácio Lafer Piva, e da Nossa Caixa Nosso Banco, Geraldo Gardenali, assinaram hoje protocolo que abre linha de crédito para as micro e pequenas empresas. O objetivo é liberar finaciamentos de até R$ 50 mil para empresas com problemas basicamente de carência de capital de giro.
Entre os outros serviços oferecidos estão desconto de duplicatas e de cheques pré-datados, aplicações financeiras, pagamentos de salários e cobrança. O tomador do empréstimo não precisa ser correntista da Caixa, mas além de ser filiado à Fiesp, deve ter um faturamento anual de até R$ 1.200.000,00 e tempo mínimo de constituição de um ano. As garantias exigidas serão duplicatas ou pré-datados.
O total de recursos à disposição do convênio não foi estabelecido, será determinado pela demanda e faz parte do Programa Microbanco Nossa Caixa. Esse programa já atendeu cerca de 22 mil empresas, com um total de empréstimos concedidos de R$ 100 milhões. Desse total atendido, 50% foram de crédito ao comércio, o restante destinado a atender os setores de serviços e indústria.
No convênio assinado entre a Caixa e a Fiesp, o banco ainda não definiu a taxa de juros anual para as micro e pequenas empresas, mas o valor será menor do que a empresário conseguiria no mercado, mais próximo do que seria oferecido a uma empresa de primeira linha, com baixo grau de risco. A idéia é manter a taxa já praticada pelo Microbanco, algo em torno de 2,90% a 2,80%.
O Programa Microbanco começou há dois anos, com atendimento inicial à cerca de mil empresas. Para Gardenali, hoje, o programa é um dos maiores projetos de financiamento no País. "A idéia é dar preferência a esse tipo de segmento e expandir nossos serviços, oferecendo mais recursos, por meio de programas destinados especificamente para isso, como os oferecidos pelo BNDES", disse.
O presidente da Fiesp, Horácio Piva, também aprova a iniciativa do governo paulista. Ele destaca que o potencial da micro e pequena empresa, atualmente, é o de ser a grande empregadora. Além disso, ressalta, é nesse segmento que existe melhor rentabilidade e menor inadimplência. Piva admite, no entanto, que ele não é explorado apesar de ser a base da grande empresa. "Gostaríamos de ter 100 mil empresas no convênio, seria bom para nós e para o banco", disse.
Gardenali anunciou a abertura de seis novas agências fora do Estado de São Paulo. Mas deixou claro que não pretende assumir o papel de banco de fomento do Banespa, agora sob administração federal. A abertura das novas agências - Rio (RJ), Campo Grande (MS), Belo Horizonte e Uberlândia (MG), Londrina e Curitiba (PR) - dependia de alteração no estatuto, já providenciada, e aguarda liberação do Banco Central, que deve emitida 60 a 90 dias.
Segundo Gardenali, a Nossa Caixa está entre os dez maiores bancos do País, com uma liquidez de US$ 11 bilhões. Após um processo de enxugamento, diminuiu de 17 mil para 12,5 mil o número de funcionários, nas 482 agências e 593 pontos de atendimento no Estado. Nos últimos quatro anos o banco recebeu 300 mil novos clientes e pretende ampliar os serviços para manter o ritmo de crescimento e competir com os grandes bancos no setor de concessão de empréstimos.


