Fiesp diz que reajuste de preço é inibidor do consumo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de fevereiro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 08 (AE) - Os empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) concluíram hoje que qualquer reajuste de preços, nas atuais condições do mercado
tem o poder de inibir o consumo. Diante desta constatação decidiram recomendar às empresas a não aceitar reajustes de insumos e matérias-primas com base na variação do câmbio. Preocupados com a possibilidade da indexação da economia e convencidos de que a taxa de dólar deverá estabilizar-se ao redor de R$ 1,60, dirigentes da entidade decidiram, durante a reunião de hoje, recomendar a negociação dos preços. Segundo argumentaram, há uma série de componentes que não estão sujeitos à variação do câmbio, como mão-de-obra, transportes, publicidade
aluguéis, e matérias-primas nacionais.
Não se justifica, por isso, alta de preços alinhada à flutuação do câmbio. O presidente em exercício da Fiesp, Luiz Fernando Furlan, disse que a elevação generalizada de preços poderá por a perder o esforço de quatro anos para a estabilização da moeda. Mesmo aqueles produtos, cuja composição de custos está fortemente influenciada pelo câmbio, não devem ser reajustados de uma só vez. O repasse, segundo Furlan, deve ser feito de forma parcelada.
Muitos fornecedores já adotaram essa política e estão tomando como base para a formação dos preços uma taxa de câmbio intermediária, porque sabem que a alta imediata dos preços pode inibir o consumo. "A eventual perda com a taxa do dólar pode ser compensada pela manutenção do volume das vendas." Furlan disse que tampouco as commodities devem influenciar o custo de vida na mesma proporção que a variação cambial. Para ele, o governo deve evitar de adotar medidas apressadas, como a tributação das exportações, para evitar distorções nos preços relativos. "Seria um retrocesso." O presidente em exercício da Fiesp prevê que o primeiro trimestre do ano será difícil, mas que o quadro de conjuntura deverá tender a se normalizar a partir do segundo trimestre. Para ele, as importações deverão cair gradativamente e as exportações tenderão a crescer a médio prazo. Segundo afirmou, o Brasil deverá obter saldos positivos da balança comercial a partir do segundo semestre.


