Fiesp discute contencioso Brasil-EUA com representante de Daley
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 14 (AE) - As sanções do governo americano para a entrada de produtos siderúrgicos brasileiros nos Estados Unidos serão um dos pontos centrais na reunião de amanhã (15) entre a Fiesp e o sub-chefe do departamento do Departamento de Comércio americano, Richard Fisher, que substituirá o secretário William Daley, que retornou hoje (14) às pressas para Washington. "Temos um contencioso muito pesado e vamos querer falar disso", afirmou o diretor-adjunto de Comércio Exterior da Fiesp, Maurice Costin.
A ausência de Daley causou frustração entre os empresários que incluem na lista do contencioso a ser discutida com urgência, além do aço, o açúcar, o fumo e o suco de laranja. "Os Estados Unidos afirmam que o Brasil é seu principal parceiro nas Américas, com exceção do México que faz parte do Nafta. Então, precisamos fazer jus a essa colocação", ponderou o empresário Mário Mugnaini, da divisão da Fiesp voltada para o comércio entre o Mercosul.
A expectativa dos empresários sobre a reunião com a autoridade dos Estados Unidos não é grande. "Fisher não deve ter respostas no bolso e vai tomar notas das nossas perguntas", prevê Costin. A compensação, segundo os empresários, viria da presença de 19 representantes de grandes empresas americanas que estariam interessadas em parcerias com empresas nacionais. "Pode ser o começo de bons negócios", admitiu Mugnaini, ele mesmo interessado em buscar um parceiro na área de produção de máquinas.
Costin disse que, pessoalmente, considerou "fora de propósito" as declarações dadas por Daley sobre o processo de privatização brasileiro e a questão do aço. O diretor da Fiesp acredita que a reunião de amanhã será uma oportunidade para que os empresários brasileiros demonstrem que as sanções americanas são "danosas" não apenas ao Brasil, mas também aos Estados Unidos, à medida que o consumidor final pagará mais caro por produtos que utilizem aço, como, por exemplo, os automóveis.
"O Brasil tem de convencer os Estados Unidos que essa atitude não é a certa", disse Costin, recomendando que as siderúrgicas façam lobby junto às montadoras americanas e que sejam publicados anúncios com estatísticas que comprovem que o governo brasileiro não subsidia o aço produzido no Brasil. Mugnaini insiste na necessidade de que seja demonstrado a Fisher que as siderúrgicas foram privatizadas e, desde então, não têm mais dinheiro público.


