São Paulo, 24 (AE) - O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Boris Tabacof, voltou a defender hoje um mecanismo de controle das cotações do dólar, resguardando alguma liberdade para a flutuação. "O modelo ideal seria a previsibilidade do câmbio, sem congelamento", afirmou. A política cambial e a trajetória da inflação foram os temas discutidos nesta manhã em reunião mensal do Conselho Superior de Economia da entidade.
Tabacof explicou que a questão está em discussão no mundo todo e que nenhum país tem um modelo ideal de câmbio. A Fiesp também não formulou nenhuma proposta a ser encaminhada ao governo porque os empresários não chegaram a uma fórmula considerada adequada.
A dolarização da economia é inviável, segundo a Fiesp, e o currency board apresenta diversos incovenientes. O sistema currency board é o adotado pela Argentina e prevê que a emissão de moeda fique atrelada ao total de reservas internacionais. A sua aplicação no Brasil, segundo Tabacof, não é indicada, porque engessa todo sistema e não prevê emissões emergenciais.
O empresário destacou que o mais importante agora é a recuperação da credibilidade para que o País volte a atrair o capital estrangeiro, o que possibilitaria também maior folga para as intervenções no câmbio. Esta recuperação de confiança seria obtida por meio do acordo com o FMI, já fechado, e a demonstração de que o Brasil está mesmo caminhando para o acerto das contas públicas.
Tabacof lembrou que o equilíbrio das contas sempre foi o único ponto não cumprido pelo País em todos os acordos já feitos com o FMI. Segundo ele, o Brasil gasta hoje 22% de seu PIB com o funcionalismo e a Previdência e 7% com pagamento de juros.
Além disso, a balança comercial ainda não está apresentando os resultados esperados. As exportações não conseguem crescer pela falta de oferta de crédito e as importações ainda não caíram neste primeiro momento, porque a maior parte do volume importado corresponde a insumos das indústrias.
Mas a expectativa é de que as importações caiam no médio prazo, com a gradativa substituição destes itens pelos produzidos internamente. Isto, na sua opinião, irá estimular a geração de emprego e levará à redução da capacidade ociosa de alguns setores.
Sobre a inflação, a percepção dos empresários é de que a subida dos preços não está tendo o ímpeto que se esperava. Há a probabilidade, revelada por especialistas agrícolas presentes à reunião, de que o custo da cesta básica tenha uma queda nominal nos próximos meses, o que deve contribuir para frear o aumento dos índices.
Os industriais também não defendem a indexação dos salários e recomendam a livre negociação entre empresas e empregados para sanar eventuais perdas de renda.

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