São Paulo, 26 (AE) - Empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) rejeitam a onda protecionista da Argentina contra produtos brasileiros e pedem uma ação forte e efetiva do Brasil contra a aplicação do sistema de salvaguardas. Segundo esses empresários, a alegação de que os produtos brasileiros são uma ameaça à sobrevivência da indústria argentina não se justifica já que ou as exportações brasileiras se mantiveram constantes ou caíram desde a desvalorização do real no último mês de janeiro.
"Não houve uma invasão de papel brasileiro para lá. Está dentro de um padrão normal", afirmou o empresário Bóris Tabacof
do setor de papel e celulose que preside o Conselho Superior de Economia da Fiesp.
De acordo com ele, o Brasil exporta entre 60 e 70 mil toneladas anuais de papel para a Argentina que consome, ao ano, 250 mil toneladas. Este volume se mantém inalterado há vários anos, o que demonstraria que a desvalorização do real não alterou a participação brasileira daquele mercado.
Outro exemplo é o dos têxteis. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Paulo Skaf, lembrou que de janeiro a maio deste ano as exportações de têxteis brasileiras para o mercado argentino sofreram uma queda de 20%. No ano passado 30% das exportações brasileiras do setor foram para a Argentina e, antes mesmo da ameaça das salvaguardas, a ABIT já esperava uma queda no volume deste ano em função da recessão do desemprego argentino.
"O governo brasileiro tem de continuar defendendo o espírito do Mercosul, que não pode ser fruto de condições cambiais", disse Tabacof que ainda acredita que o espírito de negociação e de bom senso prevalecerá na negociação entre os dois países. O presidente da ABIT disse ter ficado satisfeito com a reação rápida que o governo brasileiro demonstrou diante da ameaça de seu parceiro no Mercosul.
Na próxima semana, Skaf espera ter uma reunião de trabalho com o novo ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, para discutir o assunto. Desde já, no entanto, gostou das duas ações encaminhadas pelo governo brasileiro -a possível contestação junto à OMC (Organização Mundial do Comércio) e ao Tribunal de Arbitragem do Mercosul. "São medidas arbitrárias que não podem ser aceitas dentro de um bloco econômico", afirmou Skaf lembrando que o Brasil não tentou impor salvaguardas aos produtos argentinos quando a situação do câmbio era desfavorável à industria brasileira.
Tanto Tabacof como Skaf atribuem a onda protecionista da Argentina à proximidade da eleição presidencial marcada para outubro. "Isso não é apenas um problema cambial mas também político", disse Tabacof, lembrando o baixo crescimento da economia e a alta taxa de desemprego enfrentadas pelo atual governo.

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