Fiesp: cai avaliação sobre Brasil para daqui um ano
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 15 (AE) - O câmbio, que apresentou alto grau de volatilidade na segunda quinzena de agosto, provocou queda nas notas dos empresários paulistas sobre as perspectivas para o Brasil daqui a um ano.
Em julho, o índice era de 5,2, caindo para 4,9 em agosto. A queda ocorreu entre os empresários de todos os portes, que ficaram receosos sobre os rumos da economia a partir da forte oscilação da política cambial.
"A esperança sobre o Brasil baixou", disse Clarice Seibel, diretora do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, ao divulgar esta tarde o índice Fiesp/Vox Populi, que mede a confiança da indústria e também a avaliação de gestão empresarial.
O índice de confiança da indústria, apurado pela pesquisa Fiesp/Vox Populi, ficou inalterado em agosto, repetindo o desempenho do mês anterior, que registrou 3,8.
"Os empresários continuam insatisfeitos com as condições da economia", disse Seibel, ao apresentar a pesquisa do mês de agosto. Segundo ela, o grau de confiança é proporcional ao porte da empresa. As maiores têm mais confiança do que as médias, pequenas e micro empresas. O maior grau de pessimismo é manifestado pelas micro empresas. Enquanto as maiores manifestaram confiança de 4,4, as micro apontaram 3,6. Houve, no entanto, uma redução do intervalo entre os dois grupos, que havia sido maior na pesquisa referente ao mês de julho.
Os cinco itens pesquisados, que formam o índice total de confiança da indústria, também não apresentaram variação significativa.
Dos nove itens avaliados que compõem o índice, a pior nota ficou para o desempenho da política cambial, caindo dos 4,9 registrados em julho para 4,3 no mês passado. De acordo com a diretora de Pesquisas Econômicas da Fiesp, a política cambial sofreu a pior avaliação na medida em que a desvalorização do real se acentuou ao longo do mês de agosto, gerando incertezas sobre a estabilização da moeda e sobre as consequências da política cambial no cenário marcroeconômico.
As grandes empresas foram as que melhor avaliaram o governo no mês de agosto, com índice de 4,6, ante 3,6 das pequenas e 3,7 das micro. De todos os itens avaliados, houve apenas uma alteração positiva para o governo, na questão da política de incentivo à exportação. A avaliação por parte das grandes empresas passou de 4,1 em julho para 4,6 em agosto. Isso porque, de acordo com Clarice Seibel, as empresas deste porte são diretamente beneficiadas pelas políticas de exportação do governo.


